Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Cartão de material escolar: uma ideia inteligente

Astronauta Marcos Pontes*

Educação é prioridade! Alguém tem alguma dúvida sobre isso? Todas as ações que possam aumentar a eficiência do sistema, assim como o interesse dos alunos pelos estudos devem ser incentivadas. Contudo, além disso, é importante observar que a educação está inserida em um contexto econômico-social que, para seu desenvolvimento adequado, precisa contemplar medidas integradas que também sejam benéficas para, por exemplo, gerar mais oportunidades de emprego.

Atualmente, grande parte da rede pública de ensino opera com a compra de material escolar por licitação e a entrega aos estudantes nas escolas. O sistema, à primeira vista, parece ser satisfatório. Porém, a prática revela problemas sérios, como possibilidades de fraudes e atrasos em licitações, atrasos nas entregas do material aos alunos, má qualidade do material, impossibilidade de o aluno escolher o material a seu gosto, etc.

Além disso, a operação dessa forma favorece apenas alguns grandes fornecedores, geralmente situados comercialmente fora da região ou vizinhança da escola, e reduz a circulação econômica no comércio local e o retorno parcial em impostos e desenvolvimento para o município.

Pensando de maneira lógica, seria muito bom solucionar esses problemas de forma a não só tornar o sistema mais eficiente mas também permitir maior satisfação dos pais e estudantes e fomentar o comércio local, o que, de quebra, vai gerar mais impostos para o município, mais empregos e riquezas locais. Isso é o que chamamos de solução integrada de desenvolvimento social e econômico.

A boa notícia é que o uso da tecnologia atual de cartões possibilita a implementação dessa solução integrada! A ideia consiste em substituir o processo atual de aquisição por licitação e entrega de material escolar padrão aos estudantes pela emissão de um “Cartão material escolar”, que disponibiliza crédito para alunos da rede pública para a compra exclusiva de material escolar, por período pré-fixado (por exemplo, de 1 de janeiro a 30 de junho), em papelarias cadastradas nas associações comerciais ou sindicatos do comércio varejista ou Clube de Diretores Lojistas.

A tecnologia existente com o sistema operacional desenvolvido pela Facesp–São Paulo tem várias capacidades, como: 1) Cartão individualizado por aluno com CPF da mãe ou responsável; 2) Capacidade de até 6 milhões de transações por dia; 3) Disponível para utilização via web/computador PC; 4) Permite controle online, das prefeituras e dos comerciantes, de todas as transações e da retirada dos materiais pelos estudantes.

Esse sistema representa uma evolução do modelo antigo e permite eliminar os problemas de fraudes em licitação, atrasos de entrega, baixa qualidade do material e impossibilidade de escolha de produtos pelos alunos. Além disso, permite a injeção de recursos no comércio local, gerando impostos, empregos e maior qualidade de vida para a população.

Esse tipo de solução, sempre visando contribuir para o crescimento local, em que os pequenos negócios da região são incentivados, é uma prática comum nos países desenvolvidos como os Estados Unidos. Como resultado, colabora para o maior desenvolvimento social e econômico que caracteriza grande parte das comunidades daquele país e que é sempre razão de admiração dos visitantes (brasileiros, por exemplo). Como eles conseguem isso? Através do pensamento focado em prover soluções que sempre favoreçam os negócios locais.

A solução dos cartões de material escolar já está em implantação em alguns lugares no Brasil. Certamente, o início de operação deve contemplar alguns ajustes logísticos e técnicos, mas, com toda a certeza, é uma solução muito inteligente e que em breve deve se espalhar pelos municípios do Brasil.

*Astronauta Marcos Ponte é embaixador da ONU para o Desenvolvimento Industrial.

Tags: aberta, coluna, marcos, pontes, Sociedade

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