Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Grandes eventos, boa segurança. E depois?

Bebe Barbosa*

O governo federal anuncia investimentos de aproximadamente 1,17 bilhão de reais em equipamentos e capacitação das forças de segurança para a realização do Campeonato Mundial, sediado no Brasil. Inegavelmente, a medida surtiu efeitos. Relatos de torcedores descrevem os momentos de calmaria percebidos antes, durante e depois das partidas, com parcas exceções.

Mas a família brasileira questiona. E depois? O que será feito?

A bonança demonstrada durantes os jogos contrasta com os números letais do Mapa da Violência, estudo respeitado e apoiado pelo Ministério da Justiça. O compêndio explicita, de maneira definitiva, que o Brasil é um país com números de guerra civil. Com 1,09 milhão de homicídios entre 1980 e 2010, e média de 26,2 por 100 mil habitantes, o Brasil tem uma taxa anual de mortes violentas superior à de diversos conflitos armados internacionais, como o da Chechênia (25 mil), entre 1994 e 1996, e da guerra civil de Angola (1975-2002), com 20.300 mortos ao ano.

É preciso ficar atento ao oportunismo das autoridades em propalar a superficial sensação de tranquilidade. Ao fazer isso, utiliza dados temporários e tenta manipular a realidade, que é duramente golpeada diariamente. A dita sensação de tranquilidade verificada durante o campeonato contrasta com a dura realidade encontrada pelo brasileiro. Realidade esta imposta por um governo que insiste em apostar em velhas doutrinas ideológicas, como a tese do desarmamento, em detrimento de formular uma política de segurança pública eficaz.

Durante a Copa, a seleção alemã massacrou a brasileira em um jogo de futebol, mas todos sobreviveram e continuarão com suas vidas, quiçá levantando novamente a faixa em favor do desarmamento enquanto andam em carros blindados, são protegidos por seguranças armados ou se beneficiando da real segurança de países onde atuam. No jogo da vida – da sua, da minha, da nossa vida real - a violência continua. A taxa de mortos chegou a 29 por 100 mil habitantes em 2012. Na Alemanha, é de 0,9. Mata-se no Brasil 32 vezes mais. O padrão de qualidade não evitou um massacre figurado em gramado e não evitará o massacre anual fora dele. 

*Bene Barbosa, bacharel em direito e especialista em segurança pública, é presidente da ONG Movimento Viva Brasil.

Tags: aberta, barbosa, Bebê, coluna, Sociedade

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