Jornal do Brasil

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Marketing de verdade

Cláudia Gonçalves*

E o assunto ainda é Copa do Mundo. E todo o resto? Existe uma economia permanente que não girava apenas em torno da Copa. O comércio parou, a indústria parou, o país parou.  Ficaram os que trabalham na carona da Copa. Pensei muito sobre isso antes do evento.  Que espécie de marketing poderia ser feito para esse momento na carona desta Copa, quando me deparei com a questão de que nosso esporte se transformou em um business de grande importância? A questão é: um esporte tão amado por um povo carente de esclarecimentos ser tratado como business apenas não pode!

Por isso, vejo as questões éticas e ligadas à verdade passando sua crise também na área de marketing.  É bom poder pensar valores aliados a qualquer tipo de trabalho.  Por que não pensar em agir com verdade?  A Copa tomava as redes sociais em meio aos conflitos que todos nós conhecemos.  Tudo e toda a forma como tudo aconteceu. Depois todos pensavam juntos: Vamos torcer pelo Brasil, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.                     

O marketing foi bom, mas o resultado nem tanto.  E isso é muito positivo. Mostra o quanto ainda temos que aprender com os novos tempos.  Que seja um tempo de repensar valores e agir de acordo com a realidade existente, mas em busca da melhoria verdadeira que demanda esforço e vontade – para que cada um e todos juntos possamos melhorar também os tantos mundos existentes dentro deste mundo maior; construindo um todo melhor, uma sociedade mais equilibrada e justa, sem que se firam os direitos humanos de todas as partes, incluindo os que sofrem também sob outros aspectos, que não o social apenas. 

Sofremos a falta de ética e verdade. Como poderia pensar em um marketing que não necessariamente envolvesse mentira? Como fazer um slogan, um filme, uma chamada, um layout trabalhando com a verdade? Este é o nosso marketing. Precisamos agir com valores nestes novos tempos de escassez.  É um diferencial.  E o tempo está pedindo diferenciais para o sucesso.  Mas tem que ser de verdade, tem que começar por nós. A propaganda enganosa que já não está querendo enganar mais ninguém parece estar com os seus dias contados.  De que adianta patrocinar ou fazer propaganda para um objetivo a ser conquistado como positivo e este sair negativo? 

Acredito que vivemos um tempo de globalização pelo advento da internet que possibilitou às pessoas entenderem que não  estão sozinhas. Pensar coletivamente, com ética nos negócios, na política e nas relações são temas da atualidade. Tendo claras as definições destes conceitos para que consigamos entender nosso real valor como agentes transformadores da sociedade de maneira a torná-la mais justa e verdadeira o possível.  Criarmos a consciência de que juntos na direção dessa meta somos mais fortes. Entender que quando um trabalhador ganha, todos ganham juntos. Trabalhar para compreendermos a realidade atual, que prevê mudanças sutis no entendimento do consumo no mundo. É preciso se estudar a realidade e, primeiramente, estudar-nos a nós mesmos e nossas atitudes. Um primeiro passo pode ser o começarmos a pensar valores em nossas relações sociais. Somos todos responsáveis; agir em conformidade com o que pensamos é um esforço que se faz necessário, com esperança consciente de que cada pequeno gesto pode ser um começo.

*Cláudia Gonçalves diretora executiva da Casa da Empada.

Tags: aberta, claudia, coluna, gonçalves, Sociedade

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