Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

É preciso democratizar!

Bertolino Almeida*

A tecnologia 4G chegou ao país às vésperas da Copa das Confederações, em abril de 2013, em parte para oferecer acesso mais rápido de dados pela rede móvel celular aos milhares de estrangeiros que aportariam por aqui e que já utilizavam essa tecnologia em seus países. Mas o que se vê hoje ainda está longe de beneficiar quem importa: a grande maioria dos brasileiros. A cobertura 4G ainda é pobre no Brasil. Está presente em apenas 114 municípios, sendo restrita às capitais (quase todas) e algumas poucas cidades como Búzios e Paraty (RJ), Campos do Jordão (SP), Joinvile (SC) e Uberlândia (MG).

A questão principal de difusão da tecnologia é a falta de expansão da rede. A política de telecomunicações brasileira é concentradora. A Anatel mira as gigantes do setor e parece não olhar para as operadoras menores, que podem contribuir em larga escala para a melhoria do serviço. Faltam estímulos do governo para que pequenas operadoras e pequenos provedores cresçam no mercado.

O Brasil já tem rede de fibra óptica implantada suficiente para distribuir a banda, falta apenas promover essa expansão; mas, se for colocada em prática a distribuição de ponta para cidades e regiões menos populosas, esse mercado vai ficar para os provedores de internet locais, já que as grandes operadoras não terão tempo nem estrutura para vencer essa corrida. Assim, o governo segura politicamente essa solução enquanto as grandes operadoras vão crescendo suas redes e estruturas próprias, com dinheiro do próprio governo via BNDES, para também ocupar esses espaços e manter o oligopólio das telecomunicações.

As grandes operadoras priorizam seus investimentos em áreas de grande concentração populacional e, mesmo assim, de maneira deficiente. A proposta das pequenas operadoras é levar acesso rápido a redes móveis, principalmente de cidades de pequeno e médio portes, porém com grande potencial de desenvolvimento econômico. Lembro que Telecomunicações é um dos setores estratégicos do país, fundamental para o crescimento de inúmeras cidades do Brasil afora. Quando houver facilidade no acesso à internet rápida, todos os processos serão mais ágeis.

De acordo com dados da própria Anatel, de um total de 123,63 milhões de smartphones, modens e tablets no país, apenas 2,83 milhões utilizam tecnologia 4G. É possível expandir, é possível crescer e permitir conexão rápida a mais usuários no Brasil, porém, é preciso que o governo reveja sua política de telecomunicações olhando para as pequenas e médias teles, pois em alguns casos elas podem apresentar melhores e mais rápidas soluções.

* Bertolino Almeida é CEO da Minas Mais Telecom (www.minasmais.com.br)

Tags: aberta, almeida, bertolino, coluna, Sociedade

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