Jornal do Brasil

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

País - Sociedade Aberta

Feminilidade ou feminismo

Sergio Sebold*

Estamos vivendo as turbulências de um imenso tsunami relativista. Em primeira abordagem, observa-se felizmente que há uma tendência atual, mais para a feminilidade do que para o feminismo. Há um discreto movimento, contra este estado de coisas. A história registra três momentos do movimento feminista, chamado pelos historiadores de ondas. 

A primeira no início do século 20, onde apenas reivindicavam o direito de votar; eram a favor da vida e da família na sua forma tradicional. A segunda, na década de 60 do século passado, sem vinculação com a primeira, caracterizava-se pela postura radical contra a natureza masculina; eram a favor do aborto, sexo livre, divórcio, vestuário com tendências masculinas;  a queima de sutiãs em praça pública era o símbolo de libertação do jugo masculino. 

O homem se torna um inimigo e não mais um parceiro da vida. A terceira onda e atual é aquela em que a mulher se declara anticristã, não mais precisa de um homem (do falo, no caso de lésbica); lutando contra própria natureza humana: não engravidar, por efeito negar a maternidade, poder abortar quando quiser (o tero virou um matadouro e não casulo da vida); fazer sexo sem compromisso moral e sem vínculo afetivo; trabalhar para realização profissional, ter sua própria renda e independência financeira; ser politicamente livre. Alguns autores chamam a este comportamento de feminazismo, assim denunciado pelo padre Paulo Ricardo. Não se desconhece que isto foi um ponto de ruptura diante da presunção milenar das vantagens e predominância de que o homem como gênero sempre desfrutou.

A postura de ser feminina ou ser feminista são coisas bem diferentes, o que não impede que a mulher assuma as duas coisas ao mesmo tempo. A primeira pelo agir delicado e sensível próprio de sua natureza humana para cumprimento de sua missão geradora; a outra é buscar igualdade de direitos com relação aos homens. Na prática, como conciliar estas duas situações, quando na primeira o homem é o seu parceiro necessário de vida e no segundo é considerado um rival em termos de direito e igualdade?

A liberdade feminina, permitida pelas conquistas da ciência, levou o mundo a uma decadência moral pelo sexismo desvairado que se observa no mundo de hoje. Nada contra, e até louvável, quando pelo feminismo sejam trabalhadoras (ajudam nas despesas da família), profissionais liberais e até mesmo exercendo cargos de administração. Mas não se pode esquecer que elas são fundamentais para a existência da família, pelo efeito geracional para a qual foram predestinadas. O Estado, por sua vez, por uma ideologia marxi-feminista impregnada nos meios políticos, tem gerado superproteção às mulheres. Isto porque a grande maioria feminista imagina o mundo de uma dinâmica unilateral, no qual a mulher é uma eterna oprimida e o homem um eterno opressor. Na ideologia marxista, a família é uma forma de opressão burguesa, ele (o homem) oprime a mulher e os filhos, por efeito a família deve ser extinta.Infelizmente, as mulheres deixaram se convencer que feminilidade significava fragilidade. Com isso desprezaram as virtudes – tais como paciência, negação de si, doação, ternura, delicadeza – para se tornarem iguais aos homens em tudo, até pelo confronto do sexo “forte”. 

Procuraram demonstrar que elas não eram assim tão fracas, delicadas, bonecas insignificantes que os homens acreditavam que fossem.Elas, as feministas, se tornaram cegas para o fato de que homens e mulheres, embora iguais na dignidade ontológica, foram feitos diferentes por escolha de Deus: homem e mulher, assim os fez. Diferentes, mas complementares. Esta falsa ilusão de liberdade, que sentem as jovens pelas trombetas do consumismo, levará a uma escravidão diferente, mais poderosa do que a dos antepassados.

O dia em que a mulher “libertada” de tudo aquilo que chamam de escravidão para se tornar apenas mãe segundo seu “prazer”, esposa sem marido, sem nenhum dever para quem quer que seja, neste dia a sociedade desmoronará para a anarquia social. A extinção da espécie humana está nas mãos delas.

 

*Sergio Sebold, economista, é professor. - sebold@terra.com.br

Tags: aberta, coluna, sebold, Sergio, Sociedade

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