Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Como promover uma mudança interior e ser o protagonista da sua vida

Orlando Oda*

Quando li a afirmativa “você é 100% responsável por todos os acontecimentos da sua vida”, no livro do professor Massaharu Taniguchi, fiquei assustado. Acredito que há a atuação da lei da causalidade neste mundo, portanto não discordei totalmente da afirmativa. Com o tempo percebi o quanto é importante assumir 100% de responsabilidade para si.

Costumava justificar muitas coisas que eu não conseguia obter ou fazer culpando, responsabilizando os outros, as circunstâncias, atribuindo o fato ao momento errado, ao azar, à falta de sorte, de tempo, de recursos materiais e financeiros, etc.

Pensava que o sucesso ou insucesso dependia  da vontade, da ação ou participação dos outros. Por exemplo,: o salário dependia não na totalidade da vontade do meu patrão. Tinha consciência de que tinha que fazer a minha parte, mas daí em diante não dependia mais de mim.

Tinha uma lista de justificativas padrão: “perdi o negócio por causa da concorrência”, “cheguei atrasado por culpa do trânsito”, “deu errado por culpa de...”,  “não cumpri o prazo porque...”, “ é culpa da crise...”, “não deu certo porque fulano falhou, errou”, etc.

Muitas vezes não assumia responsabilidades por medo. Medo de errar, medo de agir, medo de arriscar. Pura falta de coragem e iniciativa. Embora não admitisse publicamente, intimamente sabia que a culpa era minha nestes casos.

Uma outra forma de não assumir a responsabilidade consistia em diluir a própria culpa compartilhando com outros ou no meio dos outros: “todos fazem isso”, “é um ato sem importância”, “é só uma vez”. Outras táticas de não assumir a responsabilidade eram “ainda tenho tempo”, “posso fazer mais tarde/depois”, “pode ser que aconteça/apareça algo/alguém ...”, “vou me informar/pesquisar ...”.

Felizmente, nunca utilizei as justificativas socialmente aceitas, tais como: sou feliz com o pouco que tenho”, “sou espiritualmente rico”, etc. Se você for totalmente desapegado de bens materiais, ótimo, parabéns, mas se tem inveja dos que viajam para o exterior na primeira classe é enganar a si próprio.

Com relação a pessoas mais bem-sucedidas que eu, sempre tive a certeza de que a culpa era minha. Nunca transferi a culpa para “falta de sorte” ou “não nasci em berço de ouro”, “meus pais eram pobres”, “não tenho amigos influentes”.

O grande problema de não assumir 100% de responsabilidade é que, ao se eximir da culpa, nunca olha para si, para dentro de você: como pensa, como age, como reage. Não promove a mudança interior.  A única forma de mudar um resultado é mudando a causa. 

Ao transferir a culpa para os outros ou para as circunstâncias externas, a causa também é transferida junto. Desta forma, você nunca faz uma análise de si próprio para ver em que poderia ter feito, melhorado para alcançar resultados satisfatórios. Nunca corrige a verdadeira causa.

A declaração “sou 100% responsável por tudo que acontece comigo” leva à mudança de cinco atitudes. Primeira: não querer encontrar um culpado. Segunda: não culpar uma circunstância externa: empresa, família,  chefe, governo, mercado, economia. Terceira: examinará a si próprio. Quarta: agirá proativamente. Quinta: se algo sair errado, irá se esforçar muito mais.

Quando você toma resolutamente a decisão de não mais culpar os outros, assumir que “tudo é de minha responsabilidade, além de mim ninguém mais é responsável”, e  cumprir esta decisão irá promover uma grande revolução, uma grande mudança interior. Tudo melhora porque você passa a ser o protagonista da vida, deixa de ser o coitadinho levado por ela. 

* Orlando Oda, administrador de empresas, com mestrado em administração financeira pela FGV, é  presidente do Grupo AfixCode..

Tags: aberta, coluna, oda, orlando, Sociedade

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