Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Crise: um fenômeno recorrente

Heli Gonçalves Moreira*

Já diziam os mais antigos: "É melhor prevenir do que remediar". Entretanto, quando falamos de crises no mundo corporativo, as origens e causas das mesmas podem estar fora do controle das empresas, sem chances de prevenção.

Crise é um fenômeno absolutamente democrático, pois surge na vida de qualquer empresa. Um exemplo atual é a situação que passa o setor automotivo, com vendas em baixa e exportações em queda. Reputações são conquistadas ou perdidas em uma crise, dependendo da forma como ela é encarada. Em uma empresa há valiosos ativos, como sua imagem e força de trabalho, e uma crise certamente irá colocá-los em risco. Por isso é preciso encará-la de frente.

Toda crise tem um dono, e, às vezes, somente ele sabe seu tamanho e por que surgiu. Mais que isso, ele não deve expandir suas dificuldades mas, sim, controlá-la. A crise tem um custo, tangível e intangível, que deverá ser pago. A tentativa de regatear poderá aumentar o prejuízo, atual ou futuro.

Um líder responsável precisa saber exatamente para onde vai quando a crise estiver resolvida. Ele precisa representar a imagem da tranquilidade na solução e no encaminhamento de ações corretivas, ágeis, consistentes e coerentes. A análise de suas dimensões, abrangência, profundidade e extensão são fundamentais para se calibrar as ações corretivas.

Exagerar ou subestimar os efeitos de uma crise pode ser tão ou mais danoso quanto à própria crise. Quando pessoas são atingidas por uma crise, ampliar seus efeitos poderá anular investimentos, sejam sociais ou econômicos, difíceis de serem recuperados, e reduzi-los pode requerer novas ações, com efeitos mais desastrosos.

A forma como conduzir a aplicação das soluções assume importância igualmente relevante no processo, especialmente quando parte das soluções de uma crise impacta diretamente na estabilidade e na segurança das pessoas. Neste caso, a dignidade e o respeito são fatores prevalecentes a serem observados.

Na prática, a solução para uma crise passa, necessariamente, pela capacitação e comprometimento das lideranças no processo. Além de garantir a boa reputação e preservar os ativos de uma empresa, a gestão de uma crise é sempre uma excelente oportunidade de aprendizado e crescimento para a mesma. Depende apenas da forma como será encarada.

*Heli Gonçalves Moreira, fundador e sócio-diretor da HGM Consultores, é especialista em projetos de consultoria e treinamento nas áreas de Relações Trabalhistas e Sindicais, Programas de Gestão Participativa, Negociações Coletivas, entre outros.

Tags: aberta, coluna, heli, moreira, Sociedade

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