Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

A Copa chegou

Bayard Do Coutto Boiteux*

Nesta quinta feira, São Paulo sedia o primeiro jogo da Copa. Momento delicado para o país, já que  passamos por uma crise de valores, acarretada por um sistema de educação falido e por uma Sade sem rumo. Estamos todos apreensivos com a falta de planejamento dos setores governamentais, que fazem declarações estapafúrdias, sem nenhum assessoramento técnico do Ministério do Turismo, sobre a Copa.

No entanto, apesar de tudo, de gastos com estádios que não terão o devido aproveitamento, como Manaus e Brasilia, o evento vai acontecer, e como profissional de turismo quero aproveitar todas as ocasiões proporcionadas pela Copa para melhorar a percepção da imagem institucional do país. Sinceramente, não me parece ser o momento adequado para greves e manifestações, já que não terão a verdadeira serventia almejada e vão acabar gerando um caos em alguns setores cruciais para a mobilidade.

A cidade do Rio passou por uma pequena revolução turística, sobretudo no tocante aos postos de informações turísticas, ao guia Riotur e de maneira ainda tímida na sinalização. Fico feliz em ver um receptivo bilíngue nos principais locais de concentração turística, inclusive na recém-criada Transcarioca, que atinge o Tom Jobim, com ônibus confortável, local para malas e possibilidade de integração com o metrô. Aliás, o metrô introduziu várias informações em inglês, em seu trajeto, que deveriam vir também acompanhadas do espanhol, o que não aconteceu. Quero crer que tal modelo será mantido após a Copa e beneficiará todos os que nos visitam ao longo do ano. Aqui, volto a frisar, falta uma tarifa especial de metrô para turista, como ocorre em todos os grandes países receptores. Trata-se de uma providência fácil e que demanda apenas vontade de inovar.

Os prestadores de serviços turísticos precisam se lembrar que não podem servir alimentos deteriorados, como aconteceu em hotéis de renome do Rio, e atentar para um atendimento de excelência, baseado nas características dos que nos visitam. É o momento de aproveitar os jogos de futebol, imagem muito ligada ao Brasil, para que nossos visitantes possam usufruir de uma experiência cultural e de uma visão plural de nossas tradições musicais, gastronômicas, artesanais, enfatizadas pelas belezas naturais. O fato de a Copa acontecer em todo o território nacional permite uma verdadeira diversificação da oferta turística. Se aproveitarmos cada visita dos jogadores estrangeiros a nossos atrativos, em cada pronunciamento, e sobretudo se mostrarmos ao mundo nosso poder de colocar em prática grandes eventos, já que somos responsáveis pelo Carnaval, pelo Réveillon e também nos últimos anos pelos eventos esportivos.

Sinto que falta muita alegria nas ruas e nas pessoas. Gostaria que tal quadro fosse devagar sendo revertido para que os milhões investidos permitam uma imagem que nos caracteriza, de alegria fundada numa vontade muito grande de triunfar e melhorar,  mesmo com crises sucessivas. E permitir que aquele grito de alegria, que está contido, venha para fora com uma força única, que não quer parar de lutar mas que não pode desdenhar o momento de euforia,  nem a presença de mais de 3 mil jornalistas...

É triste e lamentável que algumas pessoas insistam em palestras e eventos, falar sobre o complexo vira-lata. Não, ele não existe. Nossa autoestima sempre foi elevada e pode ser melhor trabalhada, com demostrações de apreço dos governantes, com geração de emprego e não as bolsas que se acumulam, num governo assistencialista ao extremo. Sim, ficamos um pouco divididos por força de nossa descendência ou de nossa vivência internacional. Eu mesmo, que morei em Portugal, Argélia, e que tenho uma relação estreita com a França, sinto um tremor no meu coração brasileiro, mas que no final torce mesmo é pelo verde/amarelo. Estamos imbuídos de uma presença maciça de vertentes mundiais.

Brasil, Rio, é hora de entregar nossos corações, já que o evento está confirmadíssimo. Ter policiamento ostensivo em todos os locais de concentração turística e mostrar ao mundo que somos um continente de belezas naturais, culturais, mas sobretudo de serviços de qualidade, de respeito e gratidão pelos que nos visitam.

* Bayard Do Coutto Boiteux, pesquisador e escritor, é professor do curso de turismo da Ucam. - www.bayardboiteux.com.br   

Tags: aberta, bayard, boiteux, coluna, Sociedade

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