Jornal do Brasil

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

País - Sociedade Aberta

Responsabilidade coletiva

Tarcisio Padilha Junior* 

O ser humano só existe numa trama coletiva de inter-relacionamentos que o definem ser de integração na existência humana, podendo ser entendido a partir da comunidade a que pertence. Deixando para trás o isolamento do próprio eu, ser cristão significa essencialmente ser para o outro.

Aquele que tentar ser mero observador da existência humana será incapaz de descobrir o próximo. Em verdade, nós, seres humanos, vivemos uns dos outros num sentido muito concreto e profundo. Ser humano é ser com os outros em todos os sentidos da existência, não apenas no respectivo presente.

Os limites aparentemente intransponíveis do eu são derrubados porque Cristo se entregou a nós. A Igreja espalhada pelo mundo inteiro guarda a fé no Ressuscitado, porque habita numa única casa. Uma nova e profunda compreensão da comunidade e da ação de Deus no mundo é imperativa hoje.

O sentido da reciprocidade e da colaboração, a reafirmação da plena participação dos fiéis, provém de renovada compreensão das orientações expressadas nos documentos do Concílio Vaticano II. A percepção que o Vaticano II tem da Igreja como Povo de Deus reforça sua própria responsabilidade coletiva.

Penso que só expressando o que verificamos de ângulos diversos, aparentemente contraditórios, conseguimos apontar para a verdade que jamais se mostra a nós em sua totalidade. Einstein comentou certa feita que na existência humana “se revela uma razão superior a todo ordenamento humano.

A essência da vida cristã consiste em aceitar e viver a existência humana como relacionalidade, capaz de ir ao encontro daquela unidade que é efetivamente a base que sustenta toda realidade à volta.

 

* Tarcisio Padilha Junior é engenheiro.

 

Tags: aberta, coluna, Padilha, Sociedade, tarcisio

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