Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Estiagem em São Paulo: sinal de alerta

Adriano Gagliardi Colabono*

O planeta não sobrevive sem água. O ser humano não sobrevive sem água. E assim mesmo temos tratado esse bem finito sem a atenção devida. Vivemos num país que detém em torno de 12% de todo o recurso hídrico do mundo, o que é um privilégio e uma responsabilidade ainda maior de preservar o que falta em diversas regiões do globo.

A abundância de água, no entanto, não nos livra de certas privações ou nos protege das ocorrências climáticas, comuns ou ocasionais. A falta de água afeta, há séculos, o sertão nordestino e tem sido o evento mais marcante dos últimos meses na Região Sudeste. A região metropolitana de São Paulo vem sofrendo os efeitos da maior seca registrada desde 1930, com forte risco de racionamento.

O sistema Cantareira, que reúne represas que abastecem 9 milhões de habitantes, está, atualmente, com cerca de 25% de sua capacidade, um fato que preocupa e chama a atenção para um problema mais amplo do que a simples estiagem. No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, este é um tema bastante pertinente.

É claro que todos podem colaborar nas atividades cotidianas, mas em âmbito coletivo é preciso pensar de forma diferente, respeitando os aspectos ambientais e culturais de cada região do país, as características de cada mercado e as estratégias comerciais e industriais das empresas.

As soluções existem, seja para residências ou comércios, para áreas rurais ou urbanas, edifícios ou comunidades, independentemente das necessidades de cada projeto. O mercado já oferece tecnologias que permitem melhor utilização e aproveitamento da água, bem como melhor distribuição, a exemplo de estações de tratamento de esgoto que permitem o reúso da água tratada em fins não potáveis e que geram uma enorme economia de água.

São soluções que contribuem para universalizar um recurso tão necessário, valioso e finito. Aliás, talvez, esta seja a questão que ainda não está retida na consciência das pessoas, em todas as esferas. A conscientização da população e de empresários quanto ao consumo responsável dos recursos hídricos deve ocorrer em todas as regiões, durante todo o ano e em qualquer condição meteorológica. Água de boa qualidade para consumo humano é um bem que se acaba, como os paulistas estão constatando e como os sertanejos vivenciam há tantos anos.

Ainda se fazem necessárias muita informação e educação da população sobre as melhores práticas na utilização da água. A boa notícia é que ainda há tempo de revermos pensamentos, atitudes, comportamentos e políticas públicas, de forma a prevenir o que nos é incontrolável, como a natureza.

São necessários projetos e investimentos, que melhorem a qualidade de vida das pessoas, de forma racional, sem perdas e que levem à população milhares e milhares de litros de água todos os dias. A estiagem verificada em diversas partes do país, especialmente na principal cidade brasileira, nos dá um alerta sobre o que estamos fazendo e o que devemos fazer.

Adriano Gagliardi Colabono é supervisor comercial da Unidade de Negócios Mizumo.

Tags: . sociedade, aberta, adriano, colabono, coluna

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