Jornal do Brasil

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

País - Sociedade Aberta

O Brasil tem baixa produtividade?

Osvaldo Guedes*

Quando a visão é do Brasil como um todo, a produtividade média é entre cinco e seis vezes menor que a norte-americana. Portanto, sim, a produtividade brasileira é baixa. Porém, esta não é a realidade quando o foco recai sobre as empresas que competem globalmente, diretamente nos mercados ou dependem de apresentar taxas de retorno atrativas para obter mais investimento dos acionistas. Estas empresas apresentam índices de produtividade compatíveis aos das melhores do mundo.

Quais são os fatores que justificam haver tanta disparidade entre empresas que convivem com as mesmas dificuldades do ambiente Brasil” – altos impostos, excesso de burocracia, falta de infraestrutura, mão de obra despreparada, baixa qualidade da gestão, entre outros?

Para entender melhor precisamos aprofundar o olhar e descobrir o que essas empresas altamente produtivas têm em comum. Será que todas têm máquinas novas? Todos os gestores têm formação universitária ou técnica? Será que todas  têm robô nas linhas de produção? Elas não têm concorrentes fortes?  Nada disso!

O que essas empresas têm em comum é um sistema de produção  fundamentado na Melhoria Contínua. Ou seja,  seguem processos que visam eliminar de forma contínua e consistente as perdas e os desperdícios. As metodologias utilizadas recebem diversos nomes, TPM, Lean, Kaizen, 6 Sigma.

Mas, atenção, isto não significa que basta adotar essas metodologias para ser mais produtivo. É necessário construir um sistema de produção que seja realmente estruturado e sustentável. O primeiro passo é conhecer de perto o que essas empresas produtivas, atuantes no Brasil ou no exterior, fazem  e aprender com a história de todas elas, suas experiências bem-sucedidas e seus erros, para não cair nas mesmas armadilhas.

Uma pesquisa mais apurada mostrará, com certeza, que as empresas consideradas excelentes estão empenhadas em construir e manter uma cultura que valoriza os seus colaboradores, têm foco na satisfação dos clientes e o empenho de todos na melhoria dos processos de produção. Para alcançar este grau de maturidade é preciso uma constância de propósito da alta direção da empresa e, portanto, deve estar entre os valores fundamentais da governança do negócio. As visitas de benchmark são de grande valia para quem pretende estar neste seleto grupo nos próximos anos.  

* Osvaldo Guedes, parceiro no país da JMAC TPM Company, é diretor do Kaizen Institute Consulting Group Brasil.

Tags: aberta, coluna, guedes, osvaldo, Sociedade

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