Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Cartas a um jovem poeta

Ronilson de Souza Luiz*

No momento em que pela exposição de notícias negativas alguns começam a perder a crença nas virtudes humanas, relembro uma obra que serve como balizadora para as próximas que leremos. É exatamente o caso desta preciosa leitura do poeta Rilke (1875-1926).

Compartilho passagens pinçadas que nos levam àquela saborosa sensação de adiarmos a conclusão da leitura, visando prolongar um certo deleite. Anotou o poeta alemão: "As coisas em geral não são tão fáceis de aprender e dizer como normalmente nos querem levar a acreditar; a maioria dos acontecimentos é indizível, realiza-se em um espaço que nunca uma palavra penetrou, e mais indizíveis do que todos os acontecimentos são as obras de arte, existências misteriosas cuja vida perdura ao lado da nossa, que passa".

Podemos tirar ricas aprendizagens destas outras citações: "A obra de arte é boa quando surge de uma necessidade. Procure o fundo das coisas: ali a ironia nunca chega".

Por isso as pessoas jovens são iniciantes em tudo, ainda não podem amar: precisam aprender o amor. Com todo o seu ser, com todas as forças reunidas em seu coração solitário, receoso e acelerado, os jovens precisam aprender amar. O amor constitui uma oportunidade sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo, tornar-se um mundo, tornar-se um mundo para si mesmo por causa de uma outra pessoa; é uma grande exigência para o indivíduo, uma exigência irrestrita, algo que o destaca e o coloca longe.

Se nos fosse possível ver além do alcance do nosso saber, e ainda um pouco além da obra preparatória de nosso pressentimento, talvez suportássemos as nossas tristezas com mais confiança do que nossas alegrias. Pois elas são os instantes em que algo de novo penetrou em nós, algo desconhecido; nossos sentimentos se calam em um acanhamento tímido, tudo em nós recua, surge uma quietude, e o novo, que ninguém conhece, é encontrado bem ali no meio, em silêncio.

Fecho com a passagem "o que agora nos parecer ser muito estranho se tornará o que há de mais familiar e confiável".

Simples assim!

* Ronilson de Souza Luiz, capitão da Polícia Militar, é docente na pós-graduação OAB/ESA e doutor em educação pela PUC/SP. - profronilson@gmail.com

Tags: .sociedade, aberta, coluna, luiz, ronilson

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