Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Quem vai ganhar com a internet das coisas?

João Moretti*

Em uma reunião de negócios na última semana, um amigo estava comentando sobre como as tecnologias estão evoluindo rapidamente. É um desafio cotidiano acompanhar o que o mercado está nos trazendo de novo, principalmente no que tange a mobilidade. Entretanto, no meio de tanta novidade, há uma que está ganhando um considerável número de fãs e investidores: a internet das coisas. Tanto é que, no começo do ano, a CES, maior feira de tecnologia do mundo, apresentou em Las Vegas uma variedade de aparelhos domésticos e de uso pessoal que interagem a partir da conexão com a internet. Nesse cenário, podemos considerar que muitas oportunidades surgirão para empresas que querem investir em objetos inteligentes. Mas quais são os setores que tendem a se destacar com a oferta desses recursos? 

É claro que o primeiro em que pensamos é o setor tecnológico. E não é para menos. Uma pesquisa do IDC aponta que o mercado de internet das coisas irá render US$ 8,9 trilhões em 2020, apresentando um crescimento anual de 7,9% entre 2013 e 2020. Imagine o que isso representa no volume de informação produzida! O mercado de TI terá que inovar e apostar em ferramentas que garantam a segurança desses aparelhos. Isso sem contar com o crescimento de apps desenvolvidos para essas plataformas. 

Mas o mercado tech não será o único a colher os frutos dessas inovações. O setor de eletrodomésticos também está apostando nessa tendência. Já é possível ver algumas marcas investindo em aparelhos que interagem com os usuários, como geladeiras, fogões, lâmpadas, entre outros. Além de compreender os recursos tecnológicos, essas empresas precisam ter um panorama do comportamento do consumidor para que as funcionalidades se tornem mais intuitivas. As perspectivas são positivas, e acredito que ainda há muitas possibilidades a se explorar. 

A segurança das casas e apartamentos também é um mercado em expansão. As smart houses têm sensores ligados às casas de forma a interagirem com os moradores até quando estão fora. Um bom exemplo são as babás eletrônicas, que vigiam as crianças, enviam mensagens sobre o que elas estão fazendo, e avisam em caso de choro ou emergência. Novos aparelhos como este estão em desenvolvimento para auxiliar na vigia e no controle das atividades internas. 

Por falar nas casas conectadas, a engenharia terá um significativo papel na elaboração de soluções para o nosso dia a dia. Dentre as soluções já desenvolvidas há os detectores de fumaça, que avisam o proprietário da casa através do smartphone que a casa está incendiando, e que até emite sinais de voz indicando de onde vem o fogo. Algumas casas também já estão utilizando fechaduras eletrônicas, que controlam sua abertura e fechamento através de comandos do celular. 

Não podemos esquecer do setor automobilístico, que também vem investindo significativamente na conectividade. Um carro dotado de tecnologia das coisas, por exemplo, pode ter alguns recursos controlados pelo smartphone, como teto solar, GPS, entre outros.

Com o investimento desses setores no desenvolvimento de soluções inteligentes, é provável que logo teremos contato diário com aparelhos ainda mais intuitivos do que aqueles que já conhecemos. Já pensou em ver o que tem na sua geladeira e escolher os ingredientes do seu jantar através do smartphone durante o trajeto de volta do trabalho? Melhor ainda se você chegar em casa e já encontrar a água do macarrão fervendo, e o forno pré-aquecido para gratinar, não é? Mas antes você pode ligar o rádio com apenas um comando no celular, que irá tocar automaticamente as músicas que você mais tem ouvido nas ltimas semanas. Pode parecer futurista demais, mas acredito que essas tecnologias farão parte do dia a dia muito em breve. 

Como diria o conhecido escritor Peter Drucker, “existe o risco que você não pode jamais correr, e existe o risco que você não pode deixar de correr”. A internet das coisas não é um movimento passageiro, e cabe agora às organizações investirem e se adequarem a essa crescente realidade. Embora haja alguns debates e questionamentos relacionados à invasão de privacidade que objetos conectados podem gerar, é sem dúvida um mercado em ascensão. 

É claro que ainda há uma longa caminhada até que esses produtos se popularizem a ponto de a maioria das pessoas possuírem mais de um item em casa. Mas em um futuro não muito distante os recursos smart farão, sem dúvida, parte do nosso dia a dia. Vamos aguardar. 

* João Moretti é  diretor geral da MobilePeople – empresa especializada em soluções móveis corporativas.

Tags: aberta, coluna, João, moretti, Sociedade

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