Jornal do Brasil

Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

O que têm em comum mães e líderes empresariais

Carla Virmond Mello*

Não importa o sistema familiar ou a cultura do país, toda família tem fortes influências da liderança que a mãe estabelece. Mães!!! Mais uma grande responsabilidade das mulheres. Definitivamente, somos exemplos de liderança. Mas, o que podemos levar da aprendizagem natural e do instinto maternal para o mundo corporativo e, ainda, tirar o melhor proveito disso? O que aprendemos quando nos tornamos mães, ou o que aprendemos com as nossas mães?

A lista de habilidades seria longa, mas o propósito aqui é gerar uma reflexão sobre mães e a liderança no trabalho. Um dos caminhos mais comuns para esta reflexão segue pelo verdadeiro sentido do amor e da aceitação aprendidos com a maternidade. Concordo que a entrega do amor passa a ser incondicional, e a dose de resiliência aumenta consideravelmente, além de uma grande capacidade de ação e de separar o importante do urgente e, sobretudo, a escuta com o coração.

Mas, talvez, as habilidades que se destacam passam pela coragem. Ser mãe é um ato de coragem para ser impopular e odiada em alguns momentos. Afinal, quem nunca deixou o filho em pranto por negar algo desnecessário ou não aplicável no momento da solicitação? Qual mãe nunca foi o centro das conversas dos filhos com seus amigos, terapeutas, namorados?

Ser mãe é ter esperança, ser otimista, lembrar e apreciar pequenas coisas – quem nunca saiu da festinha do Dia das Mães enxugando as lágrimas e retocando a maquiagem? – é valorizar as vitórias, ser sensível aos sentimentos e necessidades, mas sem esmorecer diante das dificuldades, sempre criando uma visão positiva de um futuro desejado. Esses também são os atributos desejados em um líder eficaz.

Construir confiança, dar autonomia no momento e na hora certa, desenvolver nos filhos a autoestima e autoconfiança para se tornarem adultos saudáveis e enfrentarem com galhardia as adversidades do mundo instável e impermanente. Prepará-los para lidar com as dificuldades, serem firmes e, também, ternos. É assim que damos valor aos colegas de equipe.

Enfim, ser mãe e ser líder é ser o exemplo e assumir estas responsabilidades. Os jovens se espelham em seus líderes, valorizam o que os pais valorizam, criam comunidades aceitas e valorizadas por eles. Ser magnânimo, solidário, generoso, saber questionar, escutar e acolher, sem julgamentos.

Difícil? E a liderança, alguém acha fácil? Como mães ou como líderes, não desistimos nunca. Filhos ou liderados ficam por perto quando os deixamos livres e demonstrando profundo interesse por eles e pelas coisas que são importantes para eles.

Como ter tempo para isso? Como gastamos nosso tempo determina o sentido que damos a nossa vida.

* Carla Virmond Mello, diretora da Lee Hecht Harrison Regional Sul, é especialista, com mais de 20 anos de experiência, em desenvolvimento de lideranças e gestão de mudanças.

Tags: aberta, carla, coluna, mello, Sociedade

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