Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Imagine tudo de novo 

Gláucio Binder*

Quando Maria Chan, da Efect Brands, de Nova York, que apresentava a pesquisa 2020, sobre perspectivas do negócio, no 1o Enaa (Encontro Nacional de Agências e Anunciantes), realizado em março de 2014, em Porto Alegre, foi perguntado em que segmento ou em que lugar do mundo a relação agência e cliente estava num nível mais ajustado aos novos tempos, ela respondeu que ninguém chegou lá.

Argumentei com ela de que este  não existe, pois entramos numa era em que a transformação é a base de tudo.  O que serve para hoje não servirá para amanhã.  Ela concordou, é claro.

Estamos todos provavelmente em vários, se não todos, os segmentos – buscando um novo modelo.  Mais rentabilidade, mais assertividade, mais interação, mais felicidade, mais desprendimento, mais integração, mais compartilhamento, mais, mais, mais.  Sim, o modelo é este: o da permanente busca pelo novo.  Pelo que ainda nem foi inventado.  Se o  existe, é como uma cenoura na frente do cavalo.  Andamos buscando o lá, e ele sempre vai se afastando.

Isso, ao contrário de nos assustar, deveria nos motivar.  Somos uma atividade que sempre foi orientada pela ideia — um mundo de permanente busca pela transformação, pelo novo, que tende a valorizar a ideia, nossa principal matéria-prima. Transformar significa olhar as coisas por um lado novo.  Olhar as coisas por um lado novo depende de criatividade, de ideia.  A pergunta que mudou o mundo foi o “por que não?”. Toda vez que desafiamos o tradicional, que arriscamos mudar aquilo que costumamos fazer sempre da mesma forma, podemos estar melhorando, evoluindo, estabelecendo novos paradigmas.  Nós, publicitários, temos a obrigação de ser permanentemente instigados pela transformação, mas muitas vezes nos deixamos levar pelo jeito tradicional de fazer as nossas próprias tarefas.  E quando somos desafiados a encontrar um novo modelo, podemos estar pulando questões básicas sobre o nosso jeito tradicional de ver as coisas.

O desafio é olhar para o que está escancarado na nossa frente e imaginar um jeito novo de fazer a mesma coisa. Ao reimaginar, temos a obrigação de pensar em como melhorar, como fazer nosso mundo avançar qualitativamente.  Trabalhando com marcas, temos uma oportunidade de mexer com elementos que estão no dia a dia das pessoas, transformar de forma significativa cada vida, ressignificar coisas, provocar reflexões, dar mais consciência social e ambiental, implantar uma ética mais democrática, derrubar preconceitos, nos melhorarmos como cidadãos.

Encarar um modelo em permanente mudança vai nos fazer ser mais relevantes como segmento, para as nossas vidas pessoais, para nossos clientes, para a economia e para a vida das pessoas.

* Gláucio Binder, presidente da Federação Nacional das Agências de Propaganda.

Tags: aberta, blinder, coluna, glaucio, Sociedade

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