Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Santidade dos papas João Paulo II e João XXIII

Danusa Rego*

No próximo domingo, 27 de abril de 2014, serão elevados aos altares dois grandes papas: João XXIII e João Paulo II. Em épocas, contextos e culturas diversas, em meio a alegrias e sofrimentos, no cotidiano e em gestos heroicos, testemunharam ao mundo uma vida santa.

Da Polônia, encontramos as raízes de João Paulo II - Karol Józef Wojty?a. Lolek, como era carinhosamente chamado por amigos e familiares, nasceu em 18 de maio de 1920, em Wadowice, viveu sua infância, estudou e recebeu os sacramentos da iniciação cristã. Com a perda da mãe aos 9 anos, foi levado por seu pai ao santuário dedicado a Nossa Senhora. Seu pai foi com ele à capela onde está a imagem de Maria de Kalwaria e disse: “Agora esta é a sua mãe”.

A quase 50 quilômetros de Wadowice, está Cracóvia, onde Karol foi morar aos 18 anos. Ali viu de perto a Segunda Guerra Mundial, precisou estudar num seminário clandestino, trabalhou em uma pedreira e perdeu inesperadamente seu pai. Viu, ainda, muitos de seus amigos perderem a vida por causa da guerra. Lutou contra o marxismo e contra o comunismo. Foi, certamente, um dos grandes responsáveis pela queda do Muro de Berlim.

Em 1978 foi eleito papa. Um pontificado que marcou a história do mundo e da Igreja. Quase 27 anos permeados por momentos difíceis, alegrias, desafios e muita esperança.

“Ele resolvia tudo de joelhos”, revela o secretário pessoal de João Paulo II por quase 40 anos, cardeal Stanis?aw Dziwisz. “E, quando era mais jovem, também prostrado por terra, diante do Senhor, não se cansava de rezar. (…) nós o víamos rezar de modo muito diferente do nosso, era como que 'pego' pelo Senhor e mergulhava n'Ele como se não existisse mais nada fora. Somente ele e Deus!”, acrescenta.

Quando sofreu o atentado em 13 de maio de 1981, o papa João Paulo II, ainda na ambulância, perdoou o autor do crime, mesmo sem saber quem era, e estava convicto de que Nossa Senhora de Fátima o tinha salvado da morte.

Ainda no continente europeu, onde está a cidade de Sotto Il Monte (província de Bérgamo), nasce Angelo Giuseppe Roncalli, papa João XXIII, conhecido como o Papa Bom. Criança, ajudou os seus pais, trabalhando na lavoura de uva. Com 12 anos, entrou no seminário sem nenhuma dúvida com relação a sua vocação sacerdotal.

O secretário de João XXIII, dom Loris Capovilla, 98 anos, assinala que Roncalli, por toda a vida, se confessou semanalmente. Assim deixou escrito: “Esta fidelidade à confissão me fez humilde, me fez entender que sem a ajuda de Deus não há verdadeira salvação e verdadeira paz”.

Sobre a experiência de João XXIII com a Cruz, dom Loris nos conta que, quando foi eleito papa, João XXIII foi levado ao Balcão da Basílica Vaticana, para dar a primeira bênção. As lâmpadas da televisão, no entanto, embaçaram sua vista e ele não via mais nada. Ficou meio que mortificado e deu a bênção. Entendeu que, naquele momento, Jesus, no Crucifixo que o cerimoniário tinha em mãos, lhe pedia que permanecesse manso e humilde de coração.

Papa João Paulo II, o Papa da misericórdia, da juventude e das famílias e o Papa Bom, que convocou o Concílio Vaticano II foram dois homens que cultivaram até o fim sua espiritualidade.  Serão proclamados santos pelo papa Francisco! 

*Danusa Rego, jornalista e missionária da comunidade Canção Nova, atua na missão Canção Nova em Roma.

Tags: aberta, Artigo, papas, Sociedade, vaticano

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