Jornal do Brasil

Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

País - Sociedade Aberta

Ler e viajar

Luiz Carlos Amorim* 

Tenho falado de vários projetos de pessoas amantes da leitura que querem disseminar o hábito de ler para além delas próprias. No mais das vezes não são pessoas poderosas, ricas ou influentes que se colocam à frente de iniciativas importantes e eficientes no sentido de incutir o gosto pela leitura e o acesso aos livros.

Não posso deixar de divulgar a ideia do projeto de leitura Ler é viajar sem sair do lugar, da professora Mariza Schiochet, minha conterrânea, que trabalha em escolas de Joinville (SC). Ela recebe livros e gibis doados pelos alunos e amigos, e os distribui em pontos onde o projeto funciona—  sete deles, espalhando cada vez mais o acesso à leitura por toda Joinville.

Os pontos de leitura do projeto não são, simplesmente, escolas ou bibliotecas. São locais onde as pessoas estão fragilizadas e precisam de apoio, de alguma coisa que as ajude a enfrentar momentos difíceis, a enfrentar a espera, a convalescença, o tratamento de doenças. A caixa de leitura do projeto Ler é viajar sem sair do lugar está lá, por obra e graça da nossa maior lutadora em prol da incentivação da leitura, em todos os lugares onde há pessoas que podem amenizar a dor da espera com a leitura de um bom livro e também de um gibi, por que não?

É a leitura em suas funções mais nobres: preenchendo com cultura o tempo de quem está esperando o restabelecimento de sua saúde e estabelecendo um hábito que todos procuramos incutir: o hábito da leitura. E, ainda, divulgando os escritores que doam seus livros para o projeto, junto a leitores em formação.

A professora Mariza começou com essa nobilíssima saga em favor da leitura visitando os doentes em hospitais, inclusive com câncer,  com cartinhas de seus alunos em apoio àquelas pessoas sofridas, outro projeto pioneiro, e acabou estendendo o projeto com a captação de livros e revistas para oferecer um alívio e uma ocupação para quem está sofrendo, para vários pontos da cidade das flores, da dança, da poesia e das bicicletas. E isso é possibilitar, através da leitura, que as pessoas viagem para outros lugares, diferentes daqueles onde se encontram, tristes e melancólicos.

Ela já fez muito pela leitura em suas escolas, estudando a obra de autores da terra e levando-os para interagir com seus alunos, e muito mais ainda fará. Porque a professora é gente que faz. Como a professora Edna Matos, de Divinópolis, Minas, que faz um trabalho parecido, e outros abnegados, de dedicação integral, pelo Brasil afora.

* Luiz Carlos Amorim é escritor -  http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Tags: aberta, Artigo, JB, Sociedade, texto

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