Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

País - Sociedade Aberta

Consciência do risco

Tarcisio Padilha Junior*

A natureza suscetível à crise de uma sociedade em rede alimenta um clima geral de incerteza que o indivíduo acha perturbador por mais que trate de removê-lo da linha de frente de suas preocupações, e fazem surgir algumas das ansiedades mais básicas que ele realmente pode enfrentar.

Localidades são completamente atravessadas por influências à distância. Os indivíduos incorporam, seletivamente, de maneira ativa, ainda que nem sempre de maneira consciente, muitos elementos transmitidos pela mídia à sua conduta no dia a dia. Todo esse processo jamais é aleatório ou passivo.

O contato regular com a informação transmitida pela mídia inerente à vida diária de hoje é uma apropriação positiva — um modo de interpretar a informação dentro das rotinas da vida diária. Há amplas variações em termos de abertura dos indivíduos a novas formas de conhecimento disponíveis.

O consumo sob domínio de mercados diversificados é essencialmente um fenômeno novo, que participa diretamente nos processos de contínua reformulação das condições da vida cotidiana. Os meios de comunicação rotineiramente apresentam modos de vida a que supostamente deveríamos aspirar.

Se incontáveis esferas de escolha são abertas pela expansão dos sistemas abstratos e socialização dos processos naturais, são manifestações sociais como as de junho passado que desempenham um papel básico, trazendo as questões essenciais da política para o primeiro plano, forçando-os à atenção pública.

A noção de risco é central numa sociedade que abandonou o modo tradicional de fazer as coisas, e que se abre para um futuro problemático, sobretudo na questão ambiental. Hoje o adiamento no tempo e a distância no espaço são fatores que inibem a inquietação que a consciência do risco produz.

Há riscos que todos enfrentamos, em relação aos quais — enquanto indivíduos e talvez mesmo coletivamente — não há muito o que podemos fazer. Porém, situações de risco institucionalmente estruturadas são mais importantes nas sociedades modernas do que nas sociedades tradicionais, enquanto a rapidez da mudança social e tecnológica continuar a produzir consequências não previstas.

* Tarcisio Padilha Junior é engenheiro.

Tags: aberta, Artigo, JB, Sociedade, texto

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