Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Desafios para o futuro da educação, análise do presente

Ascânio João Sedrez* 

No 11º Relatório da Unesco sobre o Monitoramento Global da Educação para Todos (EPT), cujo horizonte dos objetivos e metas seria 2015, fica evidente que todos os necessários avanços, no Brasil e no mundo ainda enfrentarão um percurso muito exigente para se tornarem realidade.

O texto trata do acesso universalizado à educação e aos cuidados básicos na 1ª infância, do ensino fundamental para todos, do ensino médio para todos e com aprendizagem qualificada, da supressão do analfabetismo dos já adultos, igualdade entre gêneros também no tocante à educação e da qualificação geral dos processos educacionais como condição básica de inclusão e melhoria da vida. São apontados avanços em alguns aspectos, mas constata-se, avaliando o ritmo atual das mudanças, prazos intermináveis para a superação de algumas mazelas.

O relatório de monitoramento do EPT 2013/2014 traça bons diagnósticos, reitera a decisiva e direta ligação entre qualidade de educação e desenvolvimento humano, social e planetário, e, na terceira parte, reitera a crucial importância dos professores que, com seu potencial desenvolvido e valorizado, tornar-se-iam a chave de superação da crise das aprendizagens.

Confesso que a leitura, num primeiro momento levou-me a pensar que, novamente, ficaria fácil encontrar culpados. Considerando a complexidade da situação e dos problemas que envolvem a crise mundial na educação, imaginar que alterar um dos fatores determinaria a superação deste cenário terrível pareceria “promessa de político”. Lendo mais detidamente, percebi uma valorização bem importante do(a) professor(a), e constatei, entristecido, que, além de protagonista da educação, ele(a) também sofre diretamente as consequências das sociedades que ainda não têm a educação como fator estratégico de sua constituição e crescimento.

Destaco as quatro prioridades para potencializar e qualificar a ação docente:  1) Atrair os melhores professores: a ideia é garantir atratividade para a profissão, aproximando os melhores estudantes na educação básica das licenciaturas e da formação para o magistério. Não é possível imaginar os “sem opção” constituindo as novas gerações de professores; 2)   Melhorar a qualidade dos atuais professores visando assegurar que todos os estudantes aprendam; 3) Levar os professores aonde são mais necessários: é preciso, priorizar as regiões nas quais eles farão mais diferença; 4) Oferecer os benefícios certos para reter os melhores professores.

Em suma, por mais que reconheçamos a necessidade das mudanças nas grandes políticas educacionais, nas estruturas disfuncionais que ainda persistem, acredito que a grande revolução pode ser implantada em cada escola de nosso país e no mundo. Começa com: ótimos profissionais da educação (especialmente professores, mas inclui corpo técnico e administrativo), com educadores que descobriram que a sua felicidade acontece ao acompanhar pessoas em crescimento escolar e que se apaixonem ao viver esta arte de fazer gente melhor, vivendo a aventura de ensinar e aprender. 

* Ascânio João Sedrez, pedagogo e filósofo, é diretor do Colégio Marista Arquidiocesano, da Rede de Colégios do Grupo Marista. - Site: http://www.colegiosmaristas.com.br

Tags: aberta, coluna, JB, Sociedade, texto

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