Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Valorizando quem agrega valor

 Renato Maggieri *

Recentemente, um amigo visitou o escritório central de uma grande corporação nos Estados Unidos e me contou que viu nos corredores alguns pequenos quadros que diziam: Para nós, você é tão bom quanto o seu resultado do último trimestre”. Quando ouvi isso, confesso, fiquei assustado com tanta franqueza, para não dizer frieza, mas depois, analisando bem, concluí que é um excelente método de gestão: o da meritocracia!

Meritocracia é o método que consiste na atribuição de recompensa aos que possuem méritos. Um sistema de gestão que considera o mérito a razão principal para se galgar posições dentro de uma organização.

Esse é um conceito do qual muito se fala, mas que pouco se aplica. Creio que isso aconteça, talvez, pela dificuldade de se apurar o mérito ou o valor agregado pelo avaliado. Para alguém de origem saxã (alemães, ingleses, holandeses etc) isso é mais fácil entender do que para nós latinos. Nossa cultura valoriza muito o relacionamento, a amizade, a proximidade, os brindes, enfim diversos itens que não têm muito a ver com resultados. É por isso que muitas vezes injustiças são cometidas nas empresas, onde nem sempre o mais competente ou o que produz mais resultados é o que ganha mais ou é promovido. É comum ver aqueles que são amigos do chefe, os companheiros de happy hour que obtém os melhores benefícios.

Empresas brasileiras seriam muito mais produtivas se os salários pudessem ser variáveis e pagos de acordo com critérios de produtividade, diferentemente do que preconiza a CLT, um conjunto de leis atrasadas, escritas no século passado, na década 40. Além dos aspectos legais — que entravam o país tornando-o menos atrativo a investidores — em muitas organizações predomina uma cultura que privilegia a bajulação e a troca de favores, onde os interesses da empresa são deixados de lado para privilegiar aqueles que agradam ao chefe.

Não tenho a pretensão de mudar aspectos culturais tão enraizados em nossa sociedade mas, sim, chamar a atenção para a necessidade de se valorizar quem agrega valor, independentemente de alguém ser ou não um amigo.

Essa falta de interesse pelo resultado é grave e traz importantes consequências. Quando comparamos a produtividade de um trabalhador brasileiro com aquela apurada em outros países, constatamos que somos um dos países mais improdutivos do mundo.

Não podemos mudar as leis e a cultura, mas podemos iniciar a mudança dentro do nosso negócio, apurando, monitorando e premiando a produtividade e os resultados. A seguir destaco passos de como iniciar:

1) Tudo começa com a definição clara de metas. Todos devem saber onde se quer chegar, o que será considerado sucesso; 2) Criar indicadores de curto prazo. Degraus que mostrem o quanto perto ou longe se está do objetivo; 3) Definir uma política justa de premiação, que valorize as melhores performances; 4) Informar constantemente ao avaliado sobre seu desempenho; 5) Apurar sistematicamente e com frequência os resultados; 6) Premiar, celebrar e festejar o atingimento dos objetivos.

Conheço alguns exemplos, mas reconheço que são raros os casos em que esse tipo de prática é bem aplicado dentro das empresas. Se quisermos negócios eficientes e rentáveis, precisamos aprender a valorizar quem agrega valor.   

* Renato Maggieri, formado em ciências contábeis e com dois títulos de MBA em gestão empresarial e em executive seminars,  teve uma carreira consolidada como auditor e executivo financeiro de empresas de grande porte.

Tags: aberta, coluna, maggieri, renato, Sociedade

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