Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Para que e como ler os clássicos infantis

Ana Cristina Cardoso *

Basta perguntarmos a alguns adultos sobre suas lembranças dos clássicos infantis para que uma série de fantasias rapidamente se encarregue de demonstrar os desfiladeiros por onde o imaginário deles passou. Histórias cheias de personagens benévolos e malévolos, vilões, perigos e medos. Mas também alegrias e esperanças.

A estrutura em que se desenrola cada uma dessas histórias costuma informar ao seu leitor alguma mensagem, alguma moral. E você, leitor, lembra-se da moral das histórias que ouvia quando criança?

Talvez algumas pessoas nem se lembrem da idade que tinham quando começaram a ouvir os clássicos infantis, mas é possível que alguma mensagem tenha permanecido ao longo dos anos e passado por várias gerações. É  nesse contexto que os clássicos imprimem noções dos valores da humanidade e, portanto, anos de civilização, em que o mal sempre existiu na contramão do bem. Assim como os desconfortos e as alegrias da vida, o medo e a coragem. Esses traços de comportamento dos personagens vão sendo emprestados dos clássicos para as crianças, ajudando-as na ampliação da percepção delas sobre a realidade.

Segundo os estudos do psicólogo Jean Piaget, o senso moral é despertado na criança desde bem cedo. Para ele, é a fusão entre medo e amor que é responsável pelas vontades iniciais de as crianças se darem conta do universo moral. O medo costuma decorrer do fato de os adultos serem vistos pelas crianças como grandes e fortes; esses deverão ser capazes de protegê-las e adverti-las. A figura do adulto, então, surge como autoridade a quem a criança deverá obedecer, mas por quem também deverá ser capaz de experimentar simpatia.

Será, então, que é válido ter contato com os clássicos desde cedo? Possivelmente, a afirmação vai depender de quem lerá e de como se lerá um clássico. A presença do adulto, ao lado da criança, em tempo e qualidade, é o que fará a diferença na condução dessa resposta. Que tal perguntar: qual é a moral da história?

Desejo um bom entretenimento para todos.

* Ana Cristina Cardoso, psicopedagoga, é orientadora educacional da Escola Garriga de Menezes.

 

 

Tags: aberta, Ana, coluna, cristina, Sociedade

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