Jornal do Brasil

Sábado, 23 de Agosto de 2014

País - Sociedade Aberta

'Coaching': agora e sempre 

Alejandro De Gyves*

Certas coisas andam sempre com a gente. As mulheres raramente saem sem sua bolsa. Quem dirige, precisa estar sempre com o documento do seu carro, e praticamente todo mundo não sai de casa sem um celular. Com o coaching, deveria ser a mesma coisa: ele é um aliado para todos os momentos, seja de sucesso ou fracasso. 

Muitos empresários exibem com orgulho o fato de conseguirem gerir uma empresa de sucesso sem auxílio. Mas isso tem seu preço: muitas horas de trabalho, preocupação constante e menos tempo com familiares de amigos. Mesmo apresentando lucro no fim do mês, todo empresário deveria parar e se perguntar: “Será que eu consigo melhorar?”. A resposta geralmente é sim. Mesmo um bom negócio, que é bem visto pelos seus clientes e apresenta índices positivos, sempre tem algo que poderia ser melhor. 

O trabalho de business coaching produz resultados excelentes quando feito por um profissional qualificado, mas muitas pessoas ainda veem a modalidade com desconfiança, justamente por existirem pessoas que se denominam coaches mas, na verdade, não são. Às vezes são pessoas até mesmo capacitadas, mas que prestam mais um serviço de consultoria do que de treinamento. Como um verdadeiro técnico de futebol, vôlei ou basquete, a função de coach é treinar o empresário para conseguir encontrar sozinho suas respostas e, com isso, tirar o melhor da sua companhia. E isso fica muito mais fácil se já partirmos de um ponto em que os negócios estejam caminhando bem. 

Como business coach, raramente recebo algum cliente que não esteja passando por uma fase complicada. Isso é normal, considerando que a maioria das pessoas só procura ajuda quando o problema já está instalado. Esta é uma mentalidade que precisa mudar, pois é muito mais fácil melhorar os pontos que estão funcionando bem, mas poderiam estar em um patamar excepcional, do que pegar o que está ruim e torná-lo ótimo.

Outra situação que vejo acontecer bastante é quando a empresa em si está caminhando muito bem, mas a vida pessoal do empresário está com problemas graves. Esta é uma questão que muitas vezes não é tratada com a devida atenção. O empresário recebe o título de workaholic e usa isso como desculpa, pois, para ele, seu negócio só funciona com a sua presença. Isso realmente é sinônimo de sucesso nos negócios? Acredito que não. 

É importante analisar se você não anda sacrificando tempo demais com pessoas importantes da sua vida para se dedicar ao trabalho. É claro que, como dizem por aí, “trabalhar edifica o homem”, mas tudo precisa ter um limite. Não é verdade essa história de que “apenas o olho do dono engorda o gado”. O empresário precisa saber utilizar as técnicas corretas para treinar funcionários de confiança, automatizar determinados processos e, desta maneira, garantir um produto ou serviço de qualidade para seu cliente, independentemente da presença do proprietário. Existem maneiras de organizar sua vida para marcar presença constante no seu negócio, mesmo sem necessariamente estar o dia inteiro sentado em uma cadeira dentro do escritório. Isso, sim, é um negócio promissor. 

O sucesso no trabalho deve ser pensado como a soma da qualidade do seu negócio com sua vida pessoal. Por mais que seu negócio prospere, busque o auxílio de um business coach para conseguir equilibrar melhor as coisas. Garanto que será uma atitude extremamente positiva. 

Neste momento, alguns (poucos) empresários podem estar pensando: “Mas eu estou indo bem com a minha empresa e tenho tempo para realizar minhas atividades. Por que então precisaria contratar um business coach? Eu me viro bem sozinho!”. Peço que você pare um pouco e analise. Sua empresa realmente não tem nada que possa ser melhorado? Ela está completamente à prova de crises, funcionando com capacidade total e funcionários treinados e motivados? Se você realmente é um profissional interessado em crescer, certamente encontrará um ponto que pode ser melhorado. E é exatamente aí que entra o trabalho do treinador para os negócios. Por que ficar sempre com a medalha de prata se você pode ter a de ouro? 

*Alejandro De Gyves, diretor para América Latina da ActionCOACH, é líder mundial em business coaching para pequenas e médias empresas e a primeira franquia de coaching no Brasil.

Tags: aberta, Artigo, coluna, JB, Jornal, Sociedade

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