Jornal do Brasil

Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

O que os jovens empreendedores precisam saber

Vagner Miranda Rocha*

Criar um produto ou serviço que atenda ao mercado é uma tarefa difícil. O desenvolvimento de novas tecnologias possibilitou a aplicação de técnicas que até então não tinham como ser usadas. Se por um lado não temos tantas necessidades novas, de outro elas estão permitindo que as conhecidas sejam supridas de forma mais fácil, rápida e com qualidade superior. Isso traz muitas oportunidades de negócios para serem aproveitadas.

A motivação para a conquista de objetivos é parte da natureza de toda pessoa e está presente em todas as fases da vida. São os objetivos que vão mudando à medida que o amadurecimento chega. Eles são traçados pra todos os campos da vida, incluindo o profissional.

Na era do conhecimento a percepção é que tudo está acelerado e que há uma alteração da sequência lógica imaginada para as coisas. Em conformidade com esse quadro, os jovens parecem forçados a definir rapidamente qual caminho vão seguir profissionalmente, e é cada vez mais comum que ainda frequentando o banco da faculdade muitos já inventaram ou reinventaram produtos, serviços ou tiveram ideias que os tornaram donos do próprio negócio.

Uns mais cedo outros mais tarde, os jovens estão definindo seus objetivos profissionais. Aqueles que escolhem ter o próprio negócio precisam rapidamente descobrir que, mesmo que venham a ter um ótimo produto ou serviço nas mãos, é preciso ser muito eficiente nas negociações e operações. Além disso, é preciso manter controles que permitam a construção de indicadores de desempenho que auxiliem na análise da situação possibilitando a correção do rumo em tempo hábil, aumentando assim as chances do negócio se perpetuar.

No caso dos jovens empresários, muitas vezes acontece desenvolverem um produto ou serviço ideal, mas falta a eles o conhecimento necessário para desenvolver o melhor modelo de negócio e implantar as estratégias que vão levar ao crescimento sustentável da empresa. Diante disso é que esse jovem deve perceber logo que para fazer o negócio evoluir é preciso contar com uma estrutura adequada e que nem sempre ele tem que ocupar a função de comando.

Mesmo que a aceitação do produto leve o negócio a alcançar rapidamente o sucesso, é importante criar uma empresa estruturada, com foco na eficiência e agilidade de processos direcionados por um sistema de informações que contribua para se tomar decisões sempre com aderência aos objetivos pretendidos.

A maior parte dos negócios criados por esses jovens nasce através da disponibilidade de produtos quase sempre baseados em tecnologia e que atendem a necessidades que o mercado não sabia que tinha ou tem, e por isso podem atingir um público que vai além das fronteiras do país. Com tamanho potencial de crescimento, são negócios que podem atrair o interesse dos investidores que monitoram o mercado em busca dessas grandes oportunidades.

A decisão por parte de pessoas jovens ou não de empreender e iniciar um negócio se mostra bastante racional, mesmo quando são consideradas apenas as oportunidades do mercado brasileiro. Para que o investimento dê certo, também faz parte dessa racionalidade a hipótese de em algum momento ser necessário recorrer a terceiros, mesmo que isso represente a perda de poder, a presença de sócios ou mesmo a venda da empresa.

Caso a decisão de empreender se baseie na ideia pura e simples de ser “dono do próprio nariz” e não dar satisfação a ninguém, a probabilidade de fracasso é grande, mesmo que se tenha um ótimo produto ou serviço nas mãos.

O jovem empreendedor que sabe desde cedo que vai precisar contar com a ajuda de terceiros prepara a empresa para esse momento e, quando a hora chega, vai atrás de parceiros. Muitos buscam e conseguem a atenção de empresas incubadoras ou aceleradoras, cuja competência ajuda muito a estruturar o negócio como deve ser e até na busca de investidores.

Contando ou não com a participação de empresas incubadoras ou aceleradoras, os jovens devem ter a preocupação de criar as condições que vão permitir aos investidores avaliar o potencial do negócio. Conscientes da situação, devem ter os meios que forneçam informações quantitativas, qualitativas e financeiras sobre o negócio.

 Manter a contabilidade bem feita e em dia é uma das formas de mostrar aos investidores em potencial que a empresa possui os requisitos mínimos para que eles façam as avaliações necessárias para tomar a decisão de investimento. É através dela que rapidamente eles vão entender a situação financeira e tributária da empresa.

Uma vez mais, a contabilidade aparece como elemento importante para o sucesso da empresa e, portanto, os jovens empreendedores devem saber da importância de mantê-la bem feita e em dia — e que, mesmo com um produto ou serviço de sucesso, o investidor só vai colocar dinheiro na empresa depois que seus auditores confirmarem que isso representa sua posição patrimonial.  Não é difícil encontrar casos de negócios que não conseguiram atrair investidores porque os auditores não puderam revisar os demonstrativos contábeis da empresa. Cautela com a contabilidade é regra para quem quer crescer.

*Vagner Miranda Rocha, administrador de empresas, é sócio da VSW Soluções Empresariais.

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