Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

País - Sociedade Aberta

A Copa dos brasileiros

João Gaspar*

Muito se tem falado nos últimos meses sobre a capacidade do Brasil de organizar a Copa do Mundo e mesmo sobre a sua relevância diante de tantas carências, principalmente nas áreas de saúde e educação. Na verdade, criou-se uma falsa dicotomia entre a realização do Mundial de futebol e os investimentos necessários para recebê-lo versus investimentos necessários para resolver problemas históricos da nação.

O primeiro argumento apresentado sobre a incapacidade do Brasil de receber esse megaevento, resumida nas frases correntes nas redes sociais como vamos passar vergonha vem sendo cotidianamente derrubado pela realidade objetiva Os urubus (ou seria outra ave?) de plantão anunciavam aos quatro ventos que as arenas para receber os espetáculos não ficariam prontas. Com exceção da Arena da Baixada em Curitiba que sofre relativo atraso, todas as outras estão dentro do prazo e confirmadas pela Fifa, a organizado da Copa.

Outro argumento apresentado é de que teremos um caos nos aeroportos do país e que os turistas não conseguiriam chegar até as arenas por problemas de mobilidade. As grandes obras de mobilidade (esse, sim, um verdadeiro legado) estão sendo entregues uma após outra, bem como reformas e ampliações de aeroportos.

Na verdade, os que falam sobre a incapacidade dos brasileiros de organizar grandes eventos estão concentrados na elite que possui a chamada “síndrome de vira-lata”. Para essas cabeças colonizadas, tudo que é nacional não presta ou não tem qualidade. Bom mesmo é o que vem de fora, principalmente se for do grande irmão do Norte ou do velho continente.

Ignoram, ou querem ignorar, que o Brasil organiza um dos maiores espetáculos da terra, que é o nosso Carnaval, que gera muito mais fluxo turístico do que a Copa do Mundo de Futebol. Ainda podemos citar como grandes eventos organizados tradicionalmente o Festival do Boi de Parintins ou mesmo o Jornada Mundial da Juventude, realizado o ano passado com grande sucesso no Rio de Janeiro.

Os investimentos realizados pelo poder pblico para viabilizar o evento na verdade estão concentrados em obras que geram benefícios para toda a sociedade. O principal, diga-se de passagem, são aqueles voltados para a melhoria da mobilidade urbana, melhorando o transporte pblico e a infraestrutura das cidades. É inegável, por exemplo, a melhoria para toda a sociedade propiciada pela Arena do Corinthians na Zona Leste de São Paulo, que valorizou os imóveis e toda a região, além de levar inúmeros serviços públicos antes ausentes.

Para não me alongar em números e benefícios gerados pelo Mundial, basta se informarem no sítio do Ministério do Esporte sobre estimativas de emprego e renda, também compartilhado em minha página na rede social Facebook. Lá estão as matrizes de responsabilidade e também um balanço até o momento. É uma pancada naqueles que espalham mentiras pelas redes sociais.

Mas quem são os indignados com a realização da Copa?

Os que se “revoltam” com o país sediar a Copa diante de tantas outras prioridades a serem enfrentadas são os mesmos responsáveis pela reprodução da miséria em séculos que governaram o país. Ou uma suposta classe média horrorizada por ver seus ambientes sagrados serem aos poucos penetrados por uma gente diferenciada”, que ameaça a sua fantasia de uma suposta superioridade social.

São os mesmos revoltados com o Bolsa Família, que na sua concepção só serve para incentivar vagabundos a continuarem se reproduzindo a fim de viver às custas dos seus impostos. São os mesmos que consideram “um absurdo” as cotas para universidades pblicas, pois baseados na meritocracia, seus filhos que estudaram a vida inteira nos melhores colégios particulares têm mais direito que o filho do pobre (e na maioria das vezes negro), que teve que frequentar cursos noturnos em colégios públicos porque tinha que trabalhar.

Ao apontar o absurdo de o Brasil sediar a Copa diante de tantas mazelas sociais, esquecem-se de dizer que o mesmo governo que garantiu o direito de sediarmos o Mundial foi o mesmo que promoveu a maior inclusão social da história do país. Que possibilitou ao filho do pobre e trabalhador o acesso à universidade através do Prouni, que fez o maior investimento da história na expansão do ensino técnico e tecnológico e que criou em 11 anos mais universidades públicas que em todos os 502 anos de existência do Brasil.

E podemos comparar números em qualquer área, mas aí seria uma goleada como se jogassem a nossa Seleção Brasileira e a simpática seleção do Taiti.

O fato é que essa Copa do Mundo será de todos os brasileiros, por todos os benefícios que traz, por nos encher de orgulho em nosso sentimento de pertencimento a uma nação tão importante, tão única e diferenciada. Por amplificar para todo o mundo a nossa marca Brasil, gerando milhões de possibilidades futuras.

Fora dos campos já ganhamos de goleada. Agora resta torcer pela Seleção canarinho golear em campo e nos trazer o sexto título ampliando nossa dianteira e comprovando definitivamente que somos o país do futebol.  

*João Gaspar, jornalista , foi secretário de Cultura, Esporte e Lazer da Prefeitura de Sumaré de 2005 a 2012.

Tags: brasileiros, de, ganhamos, goleada, será, Todos

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