Jornal do Brasil

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

País - Sociedade Aberta

Quero vender minha franquia! E agora? 

Diego Simioni*

Ser proprietário e operador de uma franquia pode ser um excelente negócio. Entretanto, em um determinado momento, o franqueado pode desejar se aposentar ou talvez, mesmo lucrativo, o negócio não atendeu as expectativas do empreendedor. A gestão do dia a dia de um negócio não é fácil, podendo ser desgastante e não se alinhar com os objetivos pessoais do franqueado.  Outro motivo frequente para a venda de uma franquia é a mudança da família para outra cidade, distante de onde o negócio está instalado. Independente do motivo, o que o franqueado deve fazer quando decidir vender sua franquia?

A primeira coisa é informar o franqueador de suas intenções. Vender uma franquia não é a mesma coisa que vender um negócio próprio independente. As cláusulas do contrato de franquia são determinantes para definir quais serão os próximos passos, portanto, a primeira coisa é reler seu contrato e entender seus termos. Na dúvida, procure um advogado de sua confiança.

Em muitos contratos de franquia, por exemplo, a empresa franqueadora tem a preferência de compra do seu negócio. Outro ponto importante é que a empresa franqueadora tem o direito de aprovar ou reprovar o futuro comprador.

De toda forma, provavelmente a maioria das empresas franqueadoras irá cooperar com o franqueado na sua intenção de venda. Afinal, é de interesse da própria franqueadora que sua rede continue sólida e não perca espaço de mercado.

Entretanto, cooperar não significa que o franqueador irá correr atrás de um futuro comprador. Como dono do negócio, a responsabilidade pela venda é do franqueado, a não ser que uma estratégia de saída diferente esteja acordada contratualmente — o que acontece na minoria dos casos em algumas grandes redes, como o McDonalds.

Caso a empresa franqueadora não esteja colaborando com a venda da unidade, o franqueado deve procurar outros meios para realizar a venda, tais como os intermediadores de negócios e anúncios nos classificados e meios de comunicação apropriados.

Na maioria das vezes, o potencial comprador é um franqueado atual da rede de uma área próxima. Esse franqueado já conhece o negócio e, se estiver contente com seus resultados, terá uma ótima oportunidade de desenvolver seu investimento e aumentar seus ganhos.

Além disso, é importante deixar claro para qualquer comprador potencial, seja ele da rede ou de fora dela, que o franqueador, além de aprovar ou reprovar a compra da unidade, terá de assinar um contrato de franquias que, muitas vezes, pode ser diferente do contrato de franquias da unidade atual, pois o mesmo pode ter sido alterado para refletir novas necessidades da empresa franqueadora.

Na verdade, o ideal é que o franqueado avalie a questão da venda da franquia antes mesmo de entrar no sistema. É interessante que ele entenda o contrato e pergunte ao franqueador se o mesmo já enfrentou essa situação antes e como aconteceu o desenrolar do processo. Normalmente, quando compramos algo não estamos pensando em vender, mas de toda forma esse é o tipíco caso onde prevenir é melhor do que remediar.

* Diego Simioni, administrador de empresas, é sócio-fundador da Goakira, consultoria empresarial especializada em franquias.

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