Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Segurança para agentes públicos

Marcos Espínola*

O combate ao crime no Brasil tem um saldo comparável a muitas guerras mundo afora. O impacto da violência "engorda" a cada dia a estatística de óbitos, atingindo a população como um todo, mas, essencialmente, os agentes de Segurança Pblica, seja policiais militares, civis ou federais. Em verdade, por serem responsáveis pelo combate ostensivo e a manutenção da ordem publica, ficando na linha de frente do combate à marginalidade, os policiais militares acabam sendo as maiores vitimas.

Nesta semana que passou, mais um PM foi assassinado, sendo o nono policial morto em confrontos em áreas pacificadas. Notoriamente, a cúpula da segurança pública do estado precisa repensar a estratégia dessas comunidades, dando um passo a mais, no qual, antes de tudo, os agentes ali mantidos estejam protegidos e com garantias para o exercício de suas funções.

Somente nas favelas do Complexo do Alemão, pacificado desde 2010, ja foram cinco as baixas. Há pouco mais de um mês, outra soldado foi morta na região. E assim foi na Rocinha, no Morro da Coroa, em Santa Teresa, na Favela do Batan, em Realengo, e na Cidade de Deus. Áreas pacificadas, mas que encontram forte resistência dos bandidos remanescentes das facções que dominavam essas localidades por décadas. Para se ter ideia da ousadia e insistência dos traficantes, até a delegacia inaugurada em dezembro passado no Alemão já foi alvo de um ataque.

E essa realidade não é de agora. Em 2012, um levantamento feito junto às secretarias estaduais de Segurança Publica do país revelou que um policial é assassinado a cada 32 horas no Brasil. Na época, foi constatado que os dados oficiais apontavam que pelo menos 229 policiais civis e militares haviam sido mortos, sendo que a maioria deles, 183 (79%), se encontrava fora do horário de serviço. E sabemos que esses números eram maiores, pois na época Rio de Janeiro e Distrito Federal não discriminaram as causas das mortes de policiais fora do horário de expediente, além de outros estados que não enviaram seus dados. Hoje, além do alto índice dos assassinatos de policiais em folga, as mortes daqueles em serviço vem crescendo avassaladoramente.

Enfim, independentemente das medidas adotadas, especialmente no Rio de Janeiro, através das unidades de polícias pacificadoras, até certo ponto muito bem sucedidas, o fato é que estamos vivendo um período de crescente retaliação de bandidos que desafiam a presença da polícia em áreas que eles sempre dominaram. O nmero cada vez maior de ataques e mortes de policiais deve ser freado o quanto antes, e para isso é preciso que a inteligência seja determinante na proteção dos agentes públicos de segurança. Caso contrário, eles continuarão sendo alvos fáceis para aqueles marginais que, infiltrados, ainda se encontram nas comunidades cujo domínio agora deve ser o da esperança e o da paz.

* Marcos Espínola é advogado criminalista. 

Tags: adotadas, das, especialmente, independentemente, Medidas, no rio

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