Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Numa perspectiva racional

Tarcisio Padilha Junior*

Certa feita, Proudhon afirmou que “somente a federação pode resolver, na teoria como na prática, o problema da conciliação”.

Se o centralismo foi instrumental na fase de formação da nacionalidade brasileira e, até certo ponto, na construção de um sistema econômico suficientemente integrado para que a tecnologia moderna fosse amplamente absorvida, somente uma vontade política inseparável do federalismo pode impedir que nosso diversificado tecido social se transforme num amálgama de indivíduos passivos.

Apenas a descentralização regional acompanhada de planejamento permite compatibilizar as aspirações das diferentes regiões. Só o planejamento permite corrigir abusos de governos e empresas, a menosprezar os custos ecológicos e sociais da aglomeração espacial das atividades produtivas. A distribuição espacial da atividade econômica pode levar a conflitos entre regiões ou entre determinada região e o poder central. O problema institucional que se põe à sociedade atualmente é o de estimular a capacidade criativa em todos os segmentos, capacidade que entre nós tem raízes regionais.

O revigoramento do federalismo requer, ao lado do fortalecimento da autonomia estadual e do contrapeso de um poder regional, o fortalecimento da instituição parlamentar. Porém, o impasse em torno da distribuição dos royalties do petróleo reflete nossa incapacidade de avançar politicamente.

Se o espaço é indefinido porque as economias se globalizam e os sistemas produtivos se interligam, tem mais força quem tem mais tecnologia. De fato, a mecanização e o uso de novas fontes de energia abrem a porta a aumentos consideráveis na produtividade efetiva da atividade industrial, fatores determinantes que levam a intensificar o investimento e a diversificar os padrões de consumo.

Historicamente, as pessoas ficavam satisfeitas em melhorar de vida mudando de região. Assim aconteceu com os nordestinos que foram para São Paulo. Hoje, essa capacidade de acomodação cria dificuldades. A solução mais simples não é mais transportar parte da população de um lugar para outro.

Seja qual for seu nível de desenvolvimento, uma sociedade só se transforma se tiver capacidade para improvisar, inovar, enfrentar seus próprios problemas da maneira mais prática possível, mas numa perspectiva racional.

* Tarcisio Padilha Junior é engenheiro. 

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