Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Meu Copacabana Palace

Bayard Do Coutto Boiteux*

Um ícone de uma cidade, por mais que ele esteja sendo comercializado por uma empresa privada, figura no patrimônio comum daquela localidade. Ele está imbuído de uma força interna, que o faz ser parte de cada morador. Ele nos dá orgulho de estar situado em nossa comunidade, mesmo sem termos um conhecimento mais absoluto do mesmo. É o caso do Corcovado, do Pão de Açúcar, de algumas praias e, na minha humilde opinião, do Copacabana Palace.

O hotel é um marco da Cidade Maravilhosa. Foi durante muitos anos administrado pela família Guinle, com dedicação, comprometimento e sobretudo glamour e elegância. Lembro, nos primórdios de minha carreira turística, a figura de dona Mariazinha Guinle, que andava pelos corredores do hotel verificando cada detalhe e cumprimentando cada colaborador pelo nome. Não posso esquecer os inúmeros eventos de turismo ali realizados, como a primeira versão dos Embaixadores do Rio, com a apresentação do saudoso Carlos Machado. Fora os jantares da AHT, gerenciada pelo empresário Jose Eduardo Guinle, que além de presidir a Riotur fez parte dos criadores da Deat e do então grupamento de turismo da Policia Militar. Sempre que podiam, os Guinle cediam o hotel gratuitamente para eventos em prol do Rio. Foi um verdadeiro parceiro da cidade e espero ainda continue.

No entanto, fomos surpreendidos  pelo fato de que a   atual administradora e proprietária do hotel iria mudar o nome do mesmo para Belmond Copacabana Palace, dentro de uma nova estratégia mercadológica. Tal noticia gerou uma tristeza no Rio, seguida de um sentimento de desrespeito por seu patrimônio cultural e turístico. Começa então um movimento pela manutenção do nome, que ganha as redes sociais e enseja uma ação do empresário Omar Peres pela não mudança do nome, que teve sentença favorável em primeira instância.

Gostaria de pedir, como profissional de turismo e morador da cidade, que a Orient Express revisse sua decisão. Na minha opinião, é uma miopia de marketing e na deles a criação de uma identidade visual de todos os hotéis. Como carioca da gema, que luta diariamente pela cidade, sinto-me no dever de pleitear por escrito a manutenção do nome e também que as entidaddes de turismo, privadas e governamentais, façam eco ao nosso pedido.

O meu, o seu, o nosso Copacabana Palace, além de tombado, precisa ser resguardado no seu nome.

* Bayard Do Coutto Boiteux, presidente do site Consultoria em Turismo, é escritor, professor universitário e pesquisador. - www.bayardboiteux.com.br

Tags: como, da cidade, de turismo, e morador, profissional

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