Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Uma vida com mais fôlego

Pedro Oliveira*

A poluição enfrentada pela população e o uso do tabaco estão reduzindo a expectativa de vida e se transformando num problema sério de saúde pública. Uma recente pesquisa do Ministério da Saúde aponta que a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) atinge cerca de 5 milhões de brasileiros e já ocupa a posição de quinta maior causa de internação no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos dez anos, entre os cidadãos maiores de 40 anos.

A DPOC mata mais de 40 mil brasileiros todos os anos e, no mundo, uma pessoa a cada dez segundos. Segundo projeções, a doença deve chegar ao terceiro lugar entre as principais causas de morte em 2030. Não é de hoje que poluição e tabaco têm preocupado as autoridades médicas em todo o mundo. O problema é gravíssimo e responsável pela redução da qualidade de vida da população. Nas grandes metrópoles, por exemplo, crianças e idosos sofrem, principalmente no inverno, diante da baixa umidade e acúmulo de partículas de poluição no ar.

As soluções passam por políticas públicas amplas que consideram os vários fatores que causam a DPOC. O trânsito deve ser visto como uma fonte de grande potencial poluidora, como mostra uma pesquisa realizada em 2013 pela ONG Sade e Sustentabilidade, em parceria com especialistas da área de saúde. O estudo revela que a poluição do ar colaborou para a morte de 99.084 pessoas entre 2006 e 2011 no país. A poluição veicular responde por 40% do problema.

O uso de veículos com fontes sustentáveis e o incentivo ao uso de transporte público não passam apenas como soluções do transporte, mas também para a melhoria da saúde da população. Se continuarmos a incentivar o uso do transporte individual, estaremos fadados a queimar cada vez mais combustíveis de origem fóssil, aumentando os problemas de saúde da população.

O combate ao tabaco deve ir além das fronteiras do sistema público, com engajamento cada vez maior das companhias. Nosso trabalho na ePharma, empresa líder de assistência farmacêutica e de saúde no Brasil, mostra que o engajamento das corporações em campanhas de combate ao uso do tabaco traz resultados significativos para a própria empresa e seus colaboradores. Conseguimos mudar atitudes por meio do Programa de Assistência aos Fumantes, conquistando benefícios sociais, econômicos e clínicos.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica chega silenciosamente na vida de milhares de brasileiros e deve ser encarada como um problema de grandes proporções. Temos condições de reverter os agentes causadores dessa doença, investindo em transporte sustentável e ajudando a combater o tabagismo.

* Pedro Oliveira é diretor médico da ePharma.

Tags: ao tabaco, das fronteiras, deve, do sistema, ir além, o combate, público

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Comentários

1 comentário
  • Nathercia Martinelle

    Não resolveram ainda o problema da fumaça do tabaco e já está praticamente liberada a maconha. O tabaco é o responsável pelo maior número de mortes de pessoas, no mundo, há anos, e sua fumaça é insuportável, mata fumantes passivos e de terceira mão ao longo do tempo principalmente por câncer, DPOC e enfisema, e, de imediato, causa rinite, irritação ocular etc. A maconha provavelmente causa tudo isso e ainda náusea e até desmaios em pessoas sensíveis, em locais com alta concentração de sua fumaça. Há praças e ruas no Rio onde a fumaça do cigarro já está oculta pela da maconha há tempos e sobe pelas janelas, invadindo imóveis, incomoda quem passa nas ruas e frequenta locais públicos; e ou se acumula sob a copa das árvores e marquises, formando uma verdadeira estufa de defumação. “Recreação” que adoece os outros é uma espécie de vandalismo social.

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