Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Eficiência para a competitividade

Carlos Rodolfo Schneider*

Uma das principais causas apontadas para o baixo crescimento da economia brasileira é a decepcionante evolução da nossa produtividade. Nos últimos 10 anos, a média anual foi de - 0,3%, contra + 1,7% na Coreia do Sul, + 2,3% na Índia e + 4% na China. Esse quadro é consequência, em boa parte, da forte queda da participação da indústria de transformação na geração de riquezas no país: de 19,2% do PIB em 2004 para 13,2% neste ano. Segundo o professor Yoshiaki Nakano, um dos fundadores do Movimento Brasil Eficiente (MBE), este é o setor mais dinâmico, responsável por mais de 70% dos gastos em P&D, com produtividade 30% superior à média da economia, e está em crise: sua participação na geração de empregos caiu de 22% para 11% entre 2002 e 2011.

O crescimento do consumo no Brasil, nos últimos anos, gerou consequências distintas para o comércio de produtos e serviços. Como esses últimos dificilmente podem ser importados, o aumento da demanda não foi acompanhado pelo correspondente aumento da oferta, pressionando a inflação. E os salários no setor avançaram além da evolução da produtividade, pressionando os custos de mão de obra dos demais setores. Na indústria de transformação, cresceram a uma taxa média de 6,6% entre 2004 e 2011. Isso impactou fortemente as suas margens, uma vez que não pode reajustar os preços devido à concorrência dos importados, cuja participação passou de 11,6% para 22,3% no período.

O fato é que os setores da economia que mais têm crescido e gerado empregos – como o de serviços, que hoje representa 67% do PIB – são os de menor produtividade. Além disso, a relação produtividade do trabalho/salários, hoje, nos é desfavorável em praticamente todos os setores, prejudicando a competitividade, desestimulando investimentos e travando o crescimento.

É preciso enfrentar o ascendente Custo Brasil, que faz do Brasil um país caro, desinteressante, movido a estímulos localizados do governo, para atender grupos de pressão e para atrair investimentos que, todavia, estão longe de suprir as nossas necessidades. De menos de 19% do PIB, eles deveriam subir para 25%; e, de 2% na infraestrutura, deveriam chegar a 5% – se quisermos crescer à taxa sempre anunciada de 5% ao ano. Aumentar investimentos, porém, requer, de um lado, aumento da poupança interna, a ser buscado, preferencialmente, e de forma mais saudável, pela redução do consumo público nos mesmos 5% a 6% pretendidos para o reforço dos investimentos. De outro lado, a redução da carga tributária, quesito em que o Brasil é campeão entre os países emergentes, estimularia novas inversões do setor privado.

Estudo da Fiesp mostrou que produtos fabricados no Brasil estão 34,2% mais caros do que os importados dos nossos 15 principais parceiros comerciais. Também uma pesquisa da Price Waterhouse Coopers registrou que os custos de produção no Brasil são em média 60% mais altos do que os de Índia, México e China. Sempre o Custo Brasil, que afasta o investidor privado, seja o nacional ou o estrangeiro.

O MBE tem a convicção de que mais investimentos e melhores serviços públicos não dependem de mais impostos, e sim de mais gestão. O economista Paulo Rabello de Castro, coordenador do movimento, concluiu que, se quisermos crescer a uma taxa constante de 5% a 6% ao ano, os gastos públicos correntes não podem crescer mais do que um terço disso. Assim, conseguiríamos aumentar a poupança e o investimento em 5% ou 6% do PIB, e, gradativamente, reduzir a nossa carga tributária para 30% num prazo de oito a 10 anos.

*Carlos Rodolfo Schneider, empresário em Joinville (SC), é coordenador do Movimento Brasil Eficiente. - crs@brasileficiente.org.br

Tags: brasil, crescer, custo, estrangeiro, tributária

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