Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Para onde foi o caixa da sua empresa?

Vagner Miranda*

Um negócio só existe se houver clientes interessados no seu produto ou serviço. Logo, o cuidado com o cliente, os esforços para mantê-lo e conseguir novos, são as principais atividades realizadas na empresa. Destacar algo óbvio parece desnecessário, já que nos pequenos ou grandes negócios essas atividades são o foco principal. Nas grandes empresas os departamentos de marketing e pesquisa & desenvolvimento são fortemente qualificados e estruturados para realizá-las. Nas pequenas e médias empresas normalmente o dono ou um diretor experiente tratam do assunto em primeira pessoa.

A captação de novos clientes se dá por meio das ações realizadas pela área de marketing. A manutenção dos clientes se dá quando a empresa identifica as necessidades e inova seus produtos através de pesquisa e desenvolvimento. Mesmo priorizando as atividades que trazem e mantêm o cliente na empresa, muitas não conseguem crescer ou mesmo sobreviver, ou ainda, existem em situação precária, já que o negócio não consegue gerar o caixa necessário, ou porque ele é consumido inadequadamente.

Na pequena e até na média empresa, mudar qualquer uma dessas situações é bem difícil porque normalmente os problemas não são percebidos em tempo, e as atividades relacionadas com a administração financeira e controles internos são colocadas em segundo plano. O administrador normalmente dedica seu tempo quase que exclusivamente para as questões diretamente ligadas a vendas e produção. O raciocínio é que com as vendas ocorrendo e a produção atendendo a demanda não haverá problemas de ordem financeira.

Por questões circunstanciais, quase sempre existe dinheiro no caixa, o que distorce a visão e impede que o administrador perceba com a devida antecedência que a empresa pode vir a passar ou está com problemas financeiros.

Mesmo em uma empresa que gera lucro, a falta de dinheiro é um problema tão grave que pode levá-la a uma situação de insolvência. O atraso ou falta de pagamento dos principais fornecedores e funcionários é uma situação iminente, que se não for bem administrada e tratada a tempo comprometerá o atendimento aos clientes — aí inicia-se um processo cuja solução é complexa a ponto de não poder ser resolvida. 

Diante de um problema desse tamanho, a primeira pergunta que surge é: para onde foi o caixa da empresa? É tentando respondê-la que o administrador constata que na empresa não existem os meios que poderiam ajudar no entendimento e solução da situação ou que eles não funcionam corretamente.

A revolução nas áreas de tecnologia da informação, comunicação, transações globais, ajudam a acirrar a concorrência. Para ficar no mercado, uma empresa de qualquer tipo e tamanho deve dar atenção a todas as áreas nevrálgicas, e a área financeira deve ser tratada como uma delas. Essa área faz uso de ferramentas como planejamento financeiro, orçamento, fluxo de caixa, contabilidade, que permitem ao gestor fazer o devido acompanhamento do andamento das operações da empresa no plano econômico e financeiro e permite a correção ou implantação de ações no tempo hábil.

A mesma revolução tornou possível o gerenciamento mais eficiente das empresas pelo uso de variados tipos de ferramentas ajustadas ao tamanho e a um custo compatível com cada uma delas. É o uso dessas ferramentas aliadas à aplicação de técnicas multidisciplinares de variados ramos do conhecimento que permitem que o administrador saiba por exemplo a origem e o destino do caixa gerado pela empresa.

A contabilidade é uma das ferramentas de gestão que conseguem responder sobre a origem e o destino do caixa gerado pela empresa. A estrutura dos demonstrativos contábeis, balanço patrimonial, demonstração de resultado e demonstração do fluxo de caixa tem por objetivo dar esse tipo de informação.

Pela rapidez e dinâmica com que as necessidades dos clientes mudam é compreensível que as áreas de marketing e produção continuem recebendo muita atenção por parte dos administradores e que recebam investimentos constantes, mas o bom desempenho da área financeira é uma necessidade que concorre com as outras e deve receber a devida atenção e os investimentos necessários. Dessa maneira, não haverá dúvidas sobre para onde foi o caixa da empresa.

*Vagner Miranda Rocha, administrador de empresas, é sócio da VSW Soluções Empresariais.

Tags: aberta, Artigo, coluna, JB, Jornal, Sociedade

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