Jornal do Brasil

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

País - Sociedade Aberta

Jornalismo e jornalistas

João Batista Herkenhoff*

O calendário tem uma grande força simbólica. Mesmo sem nos submetermos passivamente a seu império, não podemos fugir da convocação que ele nos faz para tratar dos temas celebrados em algumas datas festivas. No dia 29 de janeiro transcorreu o Dia do Jornalista. Nos dias que se seguiram ocorreram comemorações, palestras, debates e eventos por todo o país. Daí que Jornalismo e Jornalistas – a atividade jornalística e o profissional dessa atividade – são os dois arcos dentro dos quais escreveremos este artigo. 

Dispondo do milagre da palavra impressa, não pode o jornalista fugir da missão de ser porta-voz do seu povo, no seu tempo. Cabe-lhe cultivar um jornalismo a serviço da Justiça e da Verdade. É de seu dever denunciar tudo que se oponha a esses valores éticos.

A inteligência necessita de liberdade.  Se cada homem tem sua percepção do mundo, uma coerência interior a preservar, a    intromissão de outra inteligência na expressão criativa de cada um, com poder de censura, quebra a unidade do ser e constrange a pessoa na expressão de seu mundo em relação com os outros.

Em matéria de garantia da expressão do pensamento, é  preciso salvaguardar a liberdade, exigindo responsabilidade.  Países há que  nos podem oferecer modelos de legislação visando a esse duplo objetivo. O traço comum é a liberdade, sobretudo quando se refere ao livro e ao jornal, com responsabilidade criminal do abuso, por via judiciária, na forma da lei. Não oferecem as nações de tradição democrática exemplos de procedimentos como a censura de jornais e a apreensão de livros ao arbítrio do governo. Também é descabida a pretendida censura dos biografados nas respectivas biografias, assunto de que tratamos em artigo que publicamos recentemente.

É intolerável a censura governamental, como também o é a censura exercida pelos donos de jornal. Foi equivocada a atitude de Assis Chateaubriand quando pretendeu censurar um texto produzido por Rubem Braga, que seria editado num dos jornais daquele magnata da imprensa. Nosso Rubem altivamente protestou contra a censura interna que seria aplicada a uma de suas crônicas. Chateaubriand replicou dizendo ao grande Braga que, se ele quisesse ter liberdade plena de opinião, deveria fundar seu próprio jornal. O argumento daquele, que era então o poderoso dono da empresa jornalística Diários Associados, é de todo inaceitável. Todo jornalista deve desfrutar da absoluta liberdade de expressar seu pensamento nos artigos e editorias de sua responsabilidade, dentro dos veículos de comunicação. O clima de liberdade, que valoriza a profissão de jornalista, também engrandece jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão.

* João Baptista Herkenhoff, juiz de direito aposentado, é professor e escritor. - jbherkenhoff@uol.com.br

Tags: associados, da, de todo, diarios, dono, e, empresa, inaceitável, jornalística

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.