Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

Éramos doze

Aloisio Vilela de Vasconcelos*

Sim, éramos doze. Entre nós, filhos de Aloisio de Almeida Vasconcelos e Irene Vilela de Vasconcelos, a princesa da Mata Verde, havia seis homens e seis mulheres. A primeira, Isabel, faleceu ainda criança. Não houve para ela a alegria de conhecer a bondade do mundo nem a tristeza de conviver com sua maldade. Muitos e muitos anos se passaram até chegarmos a 1976. Na madrugada do dia 6 do mês de junho deste ano, meu irmão Avelar, recém-formado em agronomia, para espanto de todos, foi-se, porque vítima de um terrível acidente automobilístico. Sua prematura partida causou em gregos e troianos uma inconsolável e indescritível tristeza. Tristeza que até hoje perdura. 

Sóis e mais sóis nasceram e se puseram até que no dia 20 de abril de 2006, para minha irmã Sílvia, ele se pôs e não mais nasceu. Neste dia Viçosa perdeu quem fazia da vida uma poesia, pois a poesia era o seu trabalho. E o seu trabalho era o de levar sorriso a quem chorava, crença aos ateus, fé aos descrentes, alegria aos tristes, companhia aos abandonados e conforto aos que nada possuíam. 

Luas e mais luas, com sua incomparável e inimitável beleza, continuavam a tornar as noites mais belas e encantadoras, mas, em 12 de janeiro do corrente ano, para minha irmã Olga, a rainha da noite deixou, para sempre, de tornar os namorados mais apaixonados: foi-se, para sempre, a irmã-união, a irmã-alegria, a irmã-entusiasta. Foi-se quem levava claridade a escuridão, luz aos espíritos sombrios, esperança aos desesperados e paz a quem se digladiava. 

O deus tempo, senhor de tudo e de todos e completamente insensível a todo e qualquer tipo de dor, passa. Para minha completa surpresa, no ltimo dia 7 de fevereiro, antes das seis da manhã, o telefone toca. Era Ana, minha irmã que, com voz chorosa, informava que meu irmão mais velho, o sofredor e herói Miguel, também tinha, na madrugada desse mesmo dia, sido chamado pelo Eterno. 

Totalmente atabalhoado, balbucio alguma coisa, desligo e caio sentado na cama. 

Com os olhos cheios de lágrimas, olho para o Crucificado e peço:

SENHOR JESUS CRISTO, daqui deste lugar onde nos deixastes, onde todos nós temos um destino, onde até mesmo Vós tivestes de cumprir o vosso, humildemente prostrado aos vossos pés lhe suplico, chame para junto de Si todos os que se foram e envie sua Luz para aqueles que aqui ainda estão e necessitam de sua proteção e iluminação.

* Aloisio Vilela de Vasconcelos é professor da Universidade Federal de Alagoas. 

Tags: alguma, atabalhoado, balbucio, coisa, totalmente

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