Jornal do Brasil

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

País - Sociedade Aberta

Expatriados: como aprender o português?

Lilian Simões*

Para bom entendedor, meia palavra basta. Mas você já parou para pensar em como alguém se torna um bom entendedor? Nossa língua é composta de muitas sintaxes, prefixos e tempos verbais, e não é de um dia para o outro que alguém aprende um novo idioma. Além disso, adicionar novas palavras ao vocabulário não é o suficiente. Para compreender bem as gírias e termos mais populares é essencial obter um panorama do cenário, da cultura e do contexto onde você está. Se até nós, brasileiros, às vezes encontramos dificuldades em compreender algumas regras do português, imagine para os estrangeiros. 

Sem dúvida, entender nossa língua é uma das principais barreiras encontradas pelos expatriados ao chegarem por aqui. Por isso, as empresas costumam oferecer a esses profissionais muitos benefícios, dentre eles a opção de aprender o nosso idioma. Entretanto, pela minha experiência, percebo que o departamento de Recursos Humanos precisa atentar na hora da escolha do professor. Isso porque lecionar português para estrangeiros é diferente do ensino da língua para brasileiros.

Para ler e compreender este texto, com certeza foi necessário ter tido aulas de português em algum momento da sua vida. Entretanto, quando as normas gramaticais foram apresentadas pelos seus professores, você já sabia se comunicar minimamente por causa da convivência diária com o idioma. Esse é o fator que diferencia o seu aprendizado e o de um expatriado. Você já pensou em aprender um idioma completamente diferente, como o japonês, por exemplo, sem o professor conseguir falar português? O profissional que lecionará precisa ter uma formação sólida que o capacite a oferecer as primeiras noções a alguém que não conhece nada, ou quase nada, da nova língua. Mas como saber se um profissional está apto a dar essas aulas?

Primeiro, é importante salientar que a capacitação do professor costuma ser adquirida pela sua formação universitária. Normalmente, esse profissional é formado em letras. A maioria das universidades e faculdades que oferecem esse curso no Brasil têm matérias voltadas ao ensino de uma segunda língua. Na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, o aluno do curso de letras de bacharelado ou licenciatura, além de se especializar em português, deve optar pela capacitação em idiomas como inglês, latim, espanhol, francês, grego, entre outras. Afinal, não basta conhecer bem só o nosso idioma, porque as dúvidas do aluno não serão pronunciadas no português. Entretanto, a formação pode não ser suficiente. 

A experiência internacional é também importante por acrescentar mais fluência ao professor. Muitos vícios de linguagem e gírias não são ensinados nos livros. Ter esse contato direto com a língua e a cultura local é muito útil na hora de se comunicar com os alunos.

Por esses motivos, eu sempre aconselho as empresas que possuem expatriados a oferecerem o ensino do português através de uma instituição que possua expertise nesse segmento.

A procura por aulas de português para expatriados tem crescido muito, e isso se deve principalmente ao desenvolvimento da economia brasileira, que tem atraído muitas empresas de fora. Tanto é verdade que uma pesquisa recente realizada pela KPMG que aponta, nos próximos cinco anos, 44% das multinacionais pretendem aumentar seu programa de expatriação. 

Vale a dica: algumas escolas de idiomas oferecem serviço especializado para organizações que procuram esse benefício. É importante fazer a escolha certa para tornar mais fácil a vida desses profissionais.

* Lilian Simões é diretora da Essential Idiomas, consultoria brasileira especializada em idiomas para executivos. 

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