Jornal do Brasil

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Paquetá, um paraíso que precisa ser revigorado

Bayard Do Coutto Boiteux*

Passear pelo Rio de Janeiro é sempre descobrir novas opções de comercializar a Cidade Maravilhosa. É entender que a cidade não tem apenas os atrativos convencionais e que pode rapidamente diversificar sua oferta,se houver vontade política e sobretudo investimento,em apoiar a estruturação de novos produtos turísticos.Faço referência aqui a Paquetá,um bairro do centro carioca,localizado numa ilha da Baia de Guanabara,que pode ser atingido pelas barcas,que saem da Praça XV.

Paquetá é um símbolo de um Rio seguro, sem barulho, com ar puro e belezas como a pedra da Moreninha, o parque Darque de Melo ou ainda suas praias, como a José Bonifácio. Pode-se ainda passear de charrete,embora o valor de 100 reais cobrado por um passeio de uma hora possa ser avaliado ou ainda num trenzinho,que sinceramente faz  parte da decadência local.

Não adianta a ilha ser bonita. se falta um cuidado especial.Nas poucas placas bilíngues encontradas,em fase final,não se consegue ler nada.Não há um posto de informações turísticas do município,nem a distribuição de mapas,na chegada.O turista que desejar passear por conta própria terá pouca possibilidade de entender um pouco melhor a ilha paradisíaca.Falta uma atenção efetiva ,quando o país passa pela situação vexatória.de comemorar seis milhões de turistas.

Outro grave problema são as barcas. Tive  a oportunidade de viajar,junto com baratas que se locomoviam dentro da embarcação,ambulantes vendendo cervejas ,embora proibido e desembarque em Paquetá,com pneus na chegada.Fiquei aqui pensando:onde está a fiscalização do Estado,que terceirizou os serviços? Não houve também nenhuma informação prévia sobre utilização de equipamentos de segurança. Os catamarãs ,um pouco mais confortáveis não funcionam nos finais de semana,onde o fluxo é maior.

O publico que frequenta Paquetá é hoje pouco exigente e talvez se deixe ofuscar pelos preços competitivos do transporte e das refeições locais, que são de qualidade, mas que precisam melhorar a prestação de serviço. Aglomeram-se em alguns locais,ao som da música e dos chuveiros alugados mas esquecem que poderiam ter algo bem melhor,se fossem mais exigentes e soubessem reclamar.

Achei a Ilha limpa, vi policiamento eventual e uma população desiludida. Gostaria de propor um choque de ordem:um posto oficial de informações biligues,novas opções de artesanato local ,com pouca criatividade hoje,melhoria e fiscalização das barcas,capacitação emergencial para prestadores de serviços turísticos,reavaliação da sinalização ,confecção de material informativo e inclusão de Paquetá,nos roteiros turísticos ,que hoje não tem nenhum tour regular. Tais providências podem ser colocadas em prática rapidamente, se existir um entendimento técnico de que o Rio pode ser muito mais do que o Réveillon, o Carnaval, O corcovado, o Pão de Açúcar, Copacabana, sem desmerecer a importância vital de tais componentes de nossa oferta turística.

É um grito de alerta, para melhoria de um bairro, que pode ter relevância turística, se melhor trabalhado...

Bayard Do Coutto Boiteux é professor, escritor e preside o Site Consultoria em Turismo. (www.bayardboiteux.com.br)

Tags: de serviços, emergencial, para, prestadores, reavaliação, turísticos

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Comentários

1 comentário
  • aNTONIO oLIVEIRA

    Corretíssima a observação. É pena que tenhamos tanto desleixo da parte de quem deveria ser mais interessado.

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