Jornal do Brasil

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

País - Sociedade Aberta

Em fino detalhe

Tarcisio Padilha Junior*

As mortes atribuídas às doenças do coração passaram ao primeiro plano em meados do século 20. Há quem pense que isso se deve à maior proporção de pessoas que vivem até os 50 anos ou mais, mas essa visão é contestada por outros que a atribuem a fatores ambientais e alimentares. Acredita-se que 2/3 da população acima dos 30 anos de idade em países com altas taxas de doenças cardíacas coronarianas têm algum estreitamento em suas artérias coronárias nos dias de hoje.

Há um consenso de que estilo de vida influencia fortemente o risco de contrair doenças do coração. Especialistas médicos e outros pesquisadores produzem os materiais a partir dos quais são estudados perfis de risco, sistematicamente divulgados pela mídia em geral. Os estilos de vida seguidos pela população como um todo são influenciados pela recepção dessa gama de informações.

Embora um perfil de risco desenvolvido em qualquer momento no tempo possa parecer objetivo, a interpretação do risco para um indivíduo ou para uma categoria de indivíduos depende de terem ou não sido feitas mudanças de estilo de vida, e de que essas mudanças se basearam em suposições válidas. Uma vez estabelecido um setor do estilo de vida — como uma dieta particular —, é difícil de ser rompido, porque provavelmente estará integrado a outros aspectos do comportamento do indivíduo.

Os fatores de risco que fazem parte de uma economia moderna afetam a quase todos. Dirigir é um exemplo flagrante. Dirigir é em muitas situações uma atividade voluntária, mas há contextos onde compromissos com estilos de vida ou outras limitações podem tornar o ato de dirigir um carro quase uma necessidade.

As principais influências envolvidas provavelmente derivam de certas características do planejamento de vida e dos hábitos do estilo de vida. Como as práticas específicas são ordinariamente dirigidas a um conjunto integrado de hábitos de estilo de vida, os indivíduos nem sempre (quem sabe nem mesmo em geral) avaliam os riscos como itens separados, cada qual num domínio.

A sensação de estar à vontade nas circunstâncias rotineiras da vida cotidiana só é adquirida com grande esforço. Pensar em termos de riscos é praticamente inevitável. Viver no “piloto automático” se torna cada vez mais difícil, e se torna também mais difícil proteger qualquer estilo de vida hoje. Boa parte da estimativa do risco se dá ao nível da consciência prática. A normalidade é manejada em fino detalhe.

*Tarcisio Padilha Junior é engenheiro. 

Tags: a, à vontade, de, estar, nas circunstâncias, rotineiras, sensação

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