Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Empreender: quanto vale um sonho?

Paulo Sérgio de Moraes Sarmento*

Em 2013 foram abertas no Brasil 1.840.187 empresas, segundo o Indicador Serasa Experian de Nascimento de Empresas. Fui pesquisar em outras fontes e descobri que o Brasil possui 12.904.523  empreendimentos, lembrando que fazem parte deste montante as filiais que são igualmente obrigadas a terem os seus CNPJs independentes. Deste total, 11,7 milhões são de empresas e empreendimentos privados, ou seja, a maioria, 90%. Os 10% restantes estão divididos em entidades privadas sem fins lucrativos (9%) e as governamentais (1%).

As empresas micros e pequenas representam 85%, e as de médio e grande porte o restante. São milhões de empresas supostamente em atividade, e das quais a cada ano temos esse número acrescido. Se isso é um dado bom ou ruim, depende do lado do binóculo que olhamos. Outros dados, no entanto, mostram o quanto essas empresas duram, e, infelizmente, vemos que a longevidade de um grande número delas é curta:

         15,41% dos empreendimentos morrem no primeiro ano de vida;

         41,86% entre um e cinco anos de vida;

         E mais de 75% das que sobrevivem, após cinco anos, desaparecem em 14 anos.

Por que então abrem o tempo todo? Mais de 5 mil por dia? A melhor resposta que encontro é que essas iniciativas fazem parte de um sonho! Um sonho alimentado por pessoas que desejam melhorar de vida, que desejam pôr em prática uma ideia e que, em última análise, têm a ver com a expectativa de uma realização pessoal.

Entretanto, muitos desses sonhos terminam em frustração e em muitos casos gerando danos difíceis de serem reparados. Já vi casos de marido e mulher sócios da mesma empresa simultaneamente terem os seus casamentos desfeitos. Perdas patrimoniais da família, prejuízos a fornecedores, funcionários na justiça e toda uma cascata de problemas.

Ao nos depararmos com essa realidade de empresas fecharem precocemente, posso afirmar que o motivo predominante que leva uma empresa a parar com as suas atividades é na maioria dos casos a falta de planejamento e preparo necessário para administrar um negócio.

Administrar uma empresa exige cada vez mais dos seus gestores pela alta complexidade que se impõe nos tempos atuais. As empresas se deparam com  concorrência internacional, extrema burocracia, dificuldades na conjuntura econômica com restrição no crédito, políticas de governo equivocadas elevando juros e impostos, que no caso brasileiro são os maiores  do mundo, dentre outras situações.

E como ficam então os sonhos de realização? Como ficam os desejos que movem as pessoas a construir, deixar legado aos seus descendentes? Esse é um assunto tão sério e tão importante na vida, e o mais comum é vermos que o que deveria ser o principal cuidado é relegado a segundo plano, ou mesmo a plano nenhum.

Se um sonho é tão significante porque se ele fosse concretizado seria capaz de mudar a sua vida e a da sua família para melhor, o lógico seria que essa pessoa cuidasse de um detalhe tão importante, qual seja, o do planejamento do seu sonho e o aprendizado dos seus coadjuvantes! Um fato: a maioria dos empresários entra em uma guerra sem as armas e sem o preparo adequados. Vão à luta de peito aberto desconhecendo suas reais possibilidades de sucesso. Subestimam a arena onde irão se confrontar. Esquecem que os inimigos são muitos, são fortes e têm até leão à solta!

A pressa é inimiga da perfeição. Pula-se a necessária etapa do planejamento achando que lá na frente tudo se resolve.

Para reflexão, tomo aqui a liberdade de citar um pequeno trecho do meu livro Prepare-se! Faça a sua empresa crescer!, publicado recentemente pela MS Business Editora, onde na página 214 escrevo: “...sobre motivação e  o processo da mente na busca do sucesso individual... o cérebro é estruturado para nos dotar da capacidade de identificarmos oportunidades em determinados ambientes.  De permitir que sejamos capazes de autoavaliarmos nossas competências e habilidades comparativamente com as outras pessoas, de forma que possamos reconhecer os nossos pontos fortes e fracos. Temos capacidade de focar, de concentrar nossa atenção naquilo que nos interessa, de fazer uma releitura das situações vividas e de usar nossa memória para buscar, no passado, os dados que nos permitam fazer nossas previsões. Para tanto basta olharmos para o futuro.            

“Ora, essa condição é natural para todos nós, precisando apenas ser desenvolvida para que possamos utilizar melhor nossas capacidades cerebrais a favor dos nossos interesses de sucesso. O mesmo princípio encontrado em nosso cérebro pode ser aplicado na empresa utilizando a estrutura criada para o planejamento estratégico. Um processo que começa pela motivação do empresário em querer atingir seus objetivos”. Temos que levar mais a sério os nossos sonhos.  

* Paulo Sérgio de Moraes Sarmento, economista, é sócio da VSW Soluções Empresariais. 

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