Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Quando estar on-line e off-line?

João Moretti*

Quando foi a ltima vez em que você saiu e deixou o celular em casa? Me fiz essa pergunta e não consegui me lembrar de quando isso aconteceu comigo. Seria repetitivo dizer que estamos cada vez mais conectados, afinal isso é muito perceptível. O que tem sido surpreendente, pelo menos para mim, é a necessidade cada vez maior de as pessoas estarem conectadas full time. 

Não faz muito tempo que encontrei uma matéria abordando o novo comportamento entre jovens, o Sleep texting. Nada mais é do que responder a mensagens de textos enquanto estão dormindo. Isso mesmo: há quem não se desconecte nem durante o sono! Será que estamos passando muito tempo on-line e esquecendo da vida off-line? 

Embora a maioria das pessoas passe uma boa parte do dia conectada, a tendência é que isso aumente com o passar dos anos. Uma pesquisa realizada pelo grupo MSL, especializado em comportamento, mostra que, dentre quatro países pesquisados, o Brasil é o que permite às suas crianças o acesso mais precoce a aparelhos celulares. Enquanto na China a idade considerada ideal pelas mães para os filhos terem o primeiro celular é 14, aqui no Brasil é 11. 

Eu sou totalmente a favor do uso da tecnologia no nosso dia a dia, mas acredito que ela tem que ser uma aliada nos nossos relacionamentos. É claro que ferramentas de conversa servem, em muitos casos, para aproximar. Entretanto, o que se vê comumente são pessoas que deixam de aproveitar algum momento com a família e amigos e só ficam com os olhos atentos nos seus dispositivos móveis, preocupando-se em registrar tudo com a câmera ou em conversar pelo celular. 

Recentemente, fui assistir a uma peça de teatro e percebi que algumas pessoas estavam mais interessadas em registrar tudo em fotos e vídeos do que em ver a peça. Há até uma campanha chamada Se preferir, eu desligo para você, que defende o não uso de eletrônicos nesses locais. Apoiado por atores de peças teatrais, o movimento quer conscientizar os frequentadores de teatros e casas de show da importância de vivenciarem o espetáculo e deixarem de lado por alguns minutos seus aparelhos. 

Outro dado divulgado pela MSL, que chega a ser engraçado, é que 28% das brasileiras abririam mão do sexo por um mês para não ficarem sem osmartphone. Isso só demonstra o quão as pessoas estão apegadas a essa conectividade em tempo integral. 

Então, eu acredito que para tudo é preciso ter bom-senso. Durante um almoço com os amigos, um jantar em família, uma tarde de domingo no parque, tente aproveitar os bons momentos e experiências que a vida oferece. Enfim, use a mobilidade a seu favor e não contra. 

*João Moretti é diretor geral da MobilePeople – empresa especializada em soluções móveis corporativas

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