Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

O verão carioca

Bayard Do Coutto Boiteux*

O verão chegou com temperaturas altíssimas e com chuvas avassaladoras. Não me lembro de ter sentido tanto calor nos últimos anos. Vejo, com apreensão, o despreparo do Rio, com alagamentos de vias, falta de ar condicionado nos transportes públicos, falta de água e de energia suficiente para conter os aparelhos de ar condicionado residenciais. Sei que, de alguma forma, somos culpados pelas modificações que vêm ocorrendo no mundo e sinto que pouco fazemos. Banhos intermináveis, várias vezes ao dia, raras campanhas para melhor utilização da água, e uma parcela significativa  da população cada vez mais aborrecida pela falta de políticas públicas no sentido da preservação.

A atividade turística não aderiu com a força que deveria ao salvamento da humanidade. Quantos meios de hospedagem no Brasil desenvolvem campanhas nas unidades habitacionais para reutilização das toalhas? Nem 30% fazem tal esforço, o que acabaria inclusive reduzindo custos internos. Quantas empresas de turismo buscam na economia de energia uma forma de melhoria da qualidade final do produto? Menos de 25%. Não adianta continuar com o discurso da sustentabilidade, sem ações rápidas e fáceis, inclusive com a utilização de papel reciclável, nos cartões de visita, no material promocional e no dia a dia. O Rio também caminha na contramão, sem que associações de classe e empresas oficiais se conscientizem de que o turismo deve ser o porta-voz da preservação e das ações de melhoria.

O despreparo começa com os uniformes utilizados na maior parte dos meios de hospedagem da Cidade Maravilhosa. Não há discernimento de que num calor de 44 graus, com sensação térmica de 47, os colaboradores continuem usando vestimentas de um conceito importado da Europa e que não condiz com o Rio. Vamos iniciar rapidamente uma campanha para revolucionar o look carioca, com elegância, modernidade e sobretudo sabedores de que a prestação de serviço pode manter o nível de excelência, com as adaptações necessárias. Vamos também parar de exigir guias com camisas sociais ou ternos, assim como motoristas executando casos em que o protocolo obrigue.

Quando penso em calor, logo me lembro de Dubai, com estações de metr climatizadas, pontos de ônibus com ar condicionado, com colaboradores trabalhando, apesar da formação suíça, com tecidos adequados. E um exemplo, que pode nos orientar, além dos Estados Unidos.

O calor que tomou parte de nossa cidade, e que vai ficar até o Carnaval, precisa melhorar a saúde de nossos colaboradores, com novos uniformes e a veiculação de campanhas junto à população e ao turista, de economia de água e luz, além de adequações nas empresas. Gostaria que fôssemos pioneiros nas mudanças de comportamento, entendendo que a diversidade mundial não pode preconizar comportamento padrão. Fora os ternos e, sim, as bermudas e as camisetas glamorosas e estlizadas.

* Bayard Do Coutto Boiteux, professor e escritor, é pesquisador e preside o site <Consultoria em Turismo>. - www.bayardboiteux.pro.br

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