Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Reforço contra o linfoma

Luciana Conti*

Chega em boa hora a liberação do Rituximab no Sistema Único de Saúde (SUS). O remédio mudou a história do linfoma. Inicialmente, para o linfoma agressivo, Linfoma não Hodgkin Difuso de Grandes Células B (LNHDGCB), e posteriormente, para o Linfoma não Hodgkin Folicular (LF), Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) e Linfoma não Hodgkin da zona do Manto. 

E não estamos falando de um ou dois anos, já podemos falar em  décadas.  A aprovação pelo Food and Drug Administration (FDA), nos EUA, foi em 1997 e pela nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 1998. Entretanto, ainda hoje, apesar do progresso do SUS,  apenas pacientes que fazem tratamento na rede privada conseguem obter o Rituximab de forma adequada para suas diversas indicações. Isso impacta no aumento da sobrevida, taxa de cura, número de internações e, consequentemente, qualidade de vida dos que tratam corretamente suas doenças. 

Há cinco anos a presidente Dilma Rousseff tratou um LNHDGCB com quimioterapia que contemplava o uso do Rituximab, medicamento que não estava disponível no SUS na época para nenhum subtipo de linfoma. Apenas em outubro de 2012, três anos depois, foi revisada a autorização de procedimento de alta complexidade (Apac), possibilitando o acesso dos pacientes com o mesmo diagnóstico da presidente a esse medicamento. 

No entanto, as demais indicações de uso permaneceram indisponíveis, e inclusive, foi negado  em 2013, para o uso em LF, baseado em argumentos não compatíveis com a realidade dos artigos científicos. Agora, enfim, foi liberado. O Rituximab é tão importante no tratamento dessas doenças que motivou, inclusive, a revisão do índice prognóstico internacional. Esse índice, denominado IPI, estratifica em risco os pacientes com linfoma agressivo. 

Com certeza, após breves argumentos levantados para ratificar a já antiga importância do medicamento, não podemos deixar de valorizar o avanço da medicina pública do nosso país. Contudo, chama a atenção a demora para que esse  avanço acontecesse e a persistência do atraso em relação a liberação do mesmo medicamento para outras indicações, já tão formais e evidentes, deixando muitos pacientes com tratamento inadequado mesmo após 16 e 15 anos de aprovação pelo órgão regulador americano e brasileiro, respectivamente. 

* Luciana Conti é hematologista da Oncoclínica. 

Tags: após, argumentos, breves, certeza, com, levantados, para, ratificar

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