Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Os rumos da educação turística no Brasil

Bayard Do Coutto Boiteux*

Sempre que penso no Brasil turístico, me detenho com muita ênfase na necessidade de educar para o turismo. Sempre sonhei com um Brasil capaz de treinar seus profissionais, com técnicas modernas de imersão mercadológica, abandonando o cuspe e giz que impera na maior parte das instituições de ensino, que ainda buscam economizar nas praticas pedagógicas inovadoras e continuam formando generalistas em sala de aula. Fico estarrecido com a pouca prioridade que os empresários dão ao treinamento e sobretudo a forma como se descuidam da sua própria formação. Com raras exceções, estamos ainda acreditando que famtours e treinamentos de operadoras são o caminho para a melhoria da qualidade do produto turístico.

Visitei nos ltimos anos as escolas mais reconhecidas no mundo, na formação de recursos humanos e, claro, na empregabilidade dos mesmos. Notei que recebem uma formação genérica forte em sociologia, história da arte, geografia, ministrada por um grupo de professores, com uma vivência internacional grande, que melhora muito a orientação para a diversidade, que deve possuir um egresso. Todas possuem laboratórios supervisionados por profissionais da área e que se associam ao mercado, por modelos de incubadora. Dei-me conta também que os governos interferem pouco nas grades mas que acompanham com bastante atenção os futuros egressos. Fiquei surpreso com o interesse dos alunos em aprender e não apenas buscar graus, que permitem aprovação. Senti que a valorização de uma formação em turismo passa por alunos e docentes comprometidos. E depende muito de investimentos de alunos em intercâmbios, cursos de idiomas, viagens e reciclagens em empresas. O turismo é uma área em que o aluno precisa investir muito, o que no Brasil não ocorre.

No entanto, me preocupa bastante a falta de interesse dos empresários em buscar melhoria de qualidade, em cursos de pós-graduação ou mesmo em participar de seminários e congressos. Faltam ao turismo eventos científicos que permitam apresentação de casos de sucesso e sobretudo valorização do aspecto econômico, da atividade. Precisamos conscientizar diretores de empresas em executar treinamentos in company para avanços nas técnicas operacionais, por exemplo. Vejo, no entanto, que São Paulo é o estado que melhor percebe tal necessidade e como há investimento em treinamento. É um fenômeno que gostaria de estudar melhor. O turismo só vai avançar e se tornar mais competitivo se entender a prioridade dos processos de capacitação.

Avançamos nos últimos anos, mas entendo que o fator primordial fica nas mãos dos empresários, que na maior parte dos casos querem treinar seus mandos operacionais em processos meramente comerciais. Workshops e treinamentos de prestadores de serviços são vitais para aprimoramentos pontuais, mas não para formar cabeças pensantes. Vamos buscar novas soluções e criar oportunidades para formação de empreendedores, sobretudo interagindo com áreas como finanças, marketing e administração.

* Bayard Do Coutto Boiteux, professor e escritor, é presidente do site Consultoria em Turismo. - www.bayardboiteux.com.br)

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