Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Não consigo assumir um relacionamento

Rosana Braga*

Pessoas que não se comprometem com nada certamente têm seus motivos. Em geral, tipos assim se mostram muito convictos de seu estilo livre de vida, seja por algum trauma vivido no passado, por medo de sofrer ou por considerar a vida de solteiro bem mais interessante. O fato é que há um bloqueio para demonstrar emoções.

O pior é que, mesmo não querendo compromisso, não é assim que eles se comportam. No amor essas pessoas estão sempre disponíveis e são altamente sedutoras e envolventes. O problema é que, assim que conseguem conquistar mais um desavisado, começam a reafirmar o quanto não estão preparados para viver um relacionamento sério com ninguém.

Quem fica a ver navios, imediatamente, levanta um mar de questionamentos. Será que o problema é comigo? O que eu fiz de errado? Por que essa pessoa não consegue manter um relacionamento?

Há quem se convença de que a questão mal resolvida é de quem está terminando a relação, mas há quem tome para si todas as culpas e, pior, dedica toda a sua energia tentando conquistar o sujeito ‘difícil’, custe o que custar, como se mudar o jeito de ser desta pessoa fosse um desafio ou uma missão.

Mas, a pergunta que não quer calar: por que algumas pessoas não conseguem assumir um compromisso? Posso garantir que o que faz uma pessoa se defender de seus próprios sentimentos, a ponto de nem conseguir percebê-los, é, na maioria das vezes, medo. Medo de ser enganado, de não ser correspondido, de ser traído, de se apegar demais e se tornar refém dos desejos do outro, medo de sofrer como já sofreu no passado ou como já viu alguém sofrer, de se sentir sem controle de si mesmo e por aí vai.

E quando nem a pessoa se dá conta de que está dominada pelo medo, este sentimento é capaz de anestesiar emoções e paralisar reações. A pessoa que não se deixa ser amada e nem se permite amar está se distanciando do que sente de tal forma que prefere levantar um escudo de proteção e fincar a bandeira de uma suposta liberdade. Como se o outro ou o relacionamento fossem grades ou algemas que impossibilitam o prazer e a felicidade.

A saída real está na consciência. Somente quando a pessoa perceber que amar faz parte do risco de viver é que conseguirá ser livre de verdade. O medo precede a ânsia por certezas, mas certezas não existem – nem garantias. Para ser feliz é preciso arriscar. Como escreveu lindamente Leo Buscáglia: “Os riscos têm de ser corridos, pois o maior perigo na vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada e não é nada. Pode evitar o sofrimento e o pesar, mas não pode aprender, sentir, mudar, crescer, viver ou amar.

Para arriscar é preciso ter coragem e para ter coragem, uma pessoa precisa conhecer cada um de seus medos. Só assim será possível superá-los e se entregar à dádiva de amar e ser amado. E ter a certeza de que o amor vale a pena.

* Rosana Braga, consultora de relacionamento e comunicação do ParPerfeito, é palestrante, jornalista e escritora.

Tags: à pessoa, conta de, e, nem, quando, que está, se dá

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