Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Ano atípico

Faustino Vicente*

Apesar de se caracterizar como ano  atípico, teremos, como sempre, o nosso Carnaval como “comissão de frente” de 2014. Quando presidente da Associação Anhanguera da Qualidade, tivemos a felicidade de trazer para Jundiaí o maior carnavalesco da história do Brasil, o  genial Joãozinho Trinta (1933-2011). No Seminário sobre Criatividade e Motivação, cujo vídeo encontra-se disponível na Secretaria de Cultura de Jundiaí, ele enfatizou que o nosso Carnaval é uma autêntica ópera de rua e a maior manifestação cultural ao ar livre do planeta.

Logo após o Carnaval, todas as “baterias” de marketing estarão focadas na Copa Mundo de Futebol que, depois de 65 anos, será realizada em nosso país. Embora o Brasil surja como o grande favorito do evento, Alemanha, Espanha, Argentina e Itália são consideradas, pela imprensa esportiva, como forças capazes de provocar mais um – maracanazo –, a inesquecível  derrota para o Uruguai,  em 1950.

Passada a Copa, a classe política, que desde o ano passado se articula para as eleições majoritárias, colocará seus “blocos nas ruas” com os mesmos monótonos discursos:  fizemos mais e melhor (situação) – fizeram menos e pior (oposição). O que realmente a população espera é que o foco da propaganda política deixe a mesmice de lado e debata, profundamente, projetos para as cinco reformas estruturais: política, tributária, trabalhista, judiciária e administrativa (federal, estadual e municipal), capazes de reduzir custos, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade.

Essas reformas são estratégias para vencermos nossos grandes desafios: 4° ano seguido de crescimento abaixo da média dos países da América Latina, segundo previsão da Cepal, forte pressão inflacionária, demanda maior da população por melhores serviços públicos, elevadíssima carga tributária e Custo Brasil incompatível com o retorno à população.

Para que os eloquentes discursos, que os políticos brasileiros fizeram sobre a vida de Nelson Mandela (1918-2013), se transformem num tributo singular, esperamos que eles sigam (apenas) um de seus exemplos: exercer cargo eletivo público somente uma vez na vida.

Para justificar a atipicidade deste ano, teremos o desfecho do mais famoso julgamento da nossa história política: o mensalão.

*Faustino Vicente, consultor de empresas e professor, é advogado. - faustino.vicente@uol.com.br 

Tags: 2014, aberta, Artigo, coluna, JB, Sociedade

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