Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

Possível retorno

Tarcisio Padilha Junior*

A Igreja surgiu quando Jesus Cristo deu o seu corpo e o seu sangue como pão e vinho, dizendo: Fazei isto em memória de mim. Ele derramou seu sangue “por muitos para a remissão dos pecados” (Mt 26,28). A Igreja se realiza na celebração eucarística, que se dá em um lugar concreto.

A profundidade deste encontro com a Eucaristia reconduz à verdadeira totalidade da existência cristã, que muda minha pessoa e meus gostos ou ao menos torna secundários meus gostos e minha vontade. Sua força de mudança é de tal ordem que a Escritura a caracteriza como um novo nascimento.

Nossa sociedade se constitui de uma multidão de indivíduos que possuem opiniões sobre os seus interesses, sobre os interesses da sociedade e sobre as políticas prováveis de se promoverem esses interesses. Nela, a incerteza é condição preponderante, interfere com nossa liberdade e capacidade de entendimento.

Hoje a globalização muito promete, mediante a diminuição das distâncias, a difusão das informações e dos serviços, a aproximação entre pessoas e culturas diversas. Paradoxalmente, gera a carência de um lugar e de laços profundos, uma desorientação e um vazio que não consegue explicar.

Uma visão de mundo incapaz de dar sentido ao sofrimento de incontáveis seres humanos não serve para nada. Objetivamente, ela se constrói sobre a inteligência dos homens que adquiriram consciência do poder crítico da razão, vem de uma religiosidade que brota da intimidade da consciência.

O Espírito apanha-nos onde estamos. Concede-nos que transformemos nossa humanidade numa nova maneira de ser, num novo modo de situar-se na existência, numa atitude alimentada pelo acolhimento do outro e que faz do dom de si a atitude recíproca ou a contrapartida desse acolhimento.

Diz o papa Francisco: “A comunhão é uma teia que deve ser tecida com paciência e perseverança”. E o pontífice conclui: “Precisamos de uma Igreja capaz de fazer companhia, que se dê conta de como as razões pelas quais há pessoas que se afastam contêm já em si mesmas as razões para um possível retorno”. 

* Tarcisio Padilha Junior é engenheiro. 

Tags: aberta, Artigo, coluna, igreja, JB, Sociedade

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