Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

O amor líquido e a negociação

Rosineia Oliveira dos Santos*

Fernando Pessoa escreveu: “Os empregados pensam que serão felizes se conseguirem um emprego. Os enfermos pensam que serão felizes se conseguirem saúde. Mas não pensam que no mundo existem pessoas que, embora tendo emprego e saúde, vivem infelizes”.

Gerar terreno fértil para as emoções não é fácil, pode-se treinar usando palavras que têm conotação positiva e persuasiva. São estas palavras que geralmente formam imagens da mente do ser humano, e o recomendável é exercitar para que no momento da negociação as conclusões apareçam de forma simples para todos.

Para criar fortes relacionamentos, sejam eles no trabalho ou na vida pessoal, é preciso obter bons resultados em um acordo, deve-se analisar o todo e não cada um, individualmente. Neste sentido, uma parábola exemplifica: “O praticante católico tira o chapéu em sinal de respeito e humildade quando entra em uma igreja. Com o mesmo objetivo, o judeu coloca o kipá quando entra em uma sinagoga. Para o católico, colocar o chapéu dentro do templo tem um significado diferente do que para o judeu e vice-versa”.

Na sociedade atual os conflitos surgem por três razões: competição entre as pessoas; divergências de quem se quer atingir em ambas as partes, ou pela tentativa de autonomia ou de libertação de uma pessoa em relação a outra. Bauman, sociólogo polonês, descreve que nosso mundo é de constante “individualização”, oscila entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro.

Mas a estrada foi longa, até que essas evidências vividas abrissem um caminho no modo de pensar e agir das pessoas. Talvez essa própria ideia de relacionamento contribua para essa confusão.

O amor líquido é o fascínio recíproco entre as pessoas por aquilo que nelas há de menos dizível, de menos socializável; de refratário aos papéis e imagens delas mesmas que a sociedade lhes impõe; aos pertencimentos culturais.

Concluo com a notável frase:  “Quando tudo tiver sido dito, tudo ainda ficará por dizer, sempre restará tudo a dizer”.

Pense!

* Rosineia Oliveira dos Santos, professora, é especialista em psicologia organizacional. - olisanta@gmail.com

Tags: aberta, amor, Artigo, coluna, JB, Sociedade

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