Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

A tecnologia como ferramenta educacional no Brasil

Rodrigo Carlomagno* 

Mais do que uma opção, inserir ferramentas tecnológicas na sala de aula é uma necessidade. Tablets, smartphones e computadores estão presentes em praticamente todas as casas, fazendo parte inclusive da rotina dos mais novos. Mais do que discutir se os efeitos de tantos gadgetssão bons ou ruins para a educação, acho que precisamos inicialmente entender qual a real situação. Os nascidos no fim da década de 80 e começo de 90 tinham uma disciplina na grade escolar conhecida como “aula de informática”. Havia uma clara distinção entre o que deveria ser aprendido no online e no off-line. 

As primeiras aulas de informática com teor educativo surgiram muito antes aliás, lá nos anos 70, como complementares ao curso de física da USP de São Carlos. Até então, o uso de computadores se restringia a algumas empresas, e os aparelhos computadores não eram produzidos no país. Na mesma década, o governo federal deu início ao estabelecimento de políticas públicas para a construção de indústria própria. A partir de 1980, as universidades passaram a desenvolver programas destinados ao ensino, e o governo também implantou subsídios para a Implantação do Programa Nacional de Informática na Educação. 

Hoje as escolas estão apostando cada vez mais em trazer os recursos da tecnologia para melhorar o desempenho dos alunos em sala, aumentando seu interesse pelas aulas. Hoje não é mais interessante separar uma hora por semana para ensinar as crianças a mexerem no computador, elas já nasceram na era digital e possuem uma facilidade e um conhecimento dos gadgets que deixa muito pai e mãe para trás. Precisamos utilizar toda esta capacidade para motivar os alunos a aprenderem de maneira divertida e participante. 

Recente pesquisa elaborada pela Mobile Marketing Association mostra que 20% dos usuários da internet no Brasil têm menos de 18 anos. O número é ainda maior na faixa dos 18 aos 24 anos: eles são 32%. Percebemos com este comportamento um fato que considero a chave para aproveitarmos melhor toda esta tecnologia: crianças e jovens gostam de participar. Os jovens, e principalmente os adolescentes, não querem se resumir a meros espectadores. Eles querem ter uma participação significativa, seja com o seu blog sobre maquiagem ou em um site colaborativo desenvolvido pela sua escola que fale sobre as mudanças climáticas. 

Sabendo disso, as escolas podem e devem utilizar ferramentas tecnológicas que tornem os alunos mais participativos e interessados pelo que aprendem em sala de aula. É preciso instigar a curiosidade, estimular a pesquisa e tornar o aluno o protagonista do aprendizado.

Cada escola poderia ter um canal no YouTube com vídeos feitos pelos próprios alunos discutindo temas vistos em sala de aula ou até mesmo atualidades. Desta forma teremos alunos muito mais informados e donos de uma postura crítica, característica que muitos dizem faltar nos jovens da nova geração. 

Estes são apenas alguns exemplos de como a tecnologia pode estar presente no ambiente educacional. Quis mostrar como é possível complementar o ensino a partir da busca de ferramentas e artifícios que correspondam à realidade dos alunos. Basta frequentar o intervalo das escolas para ver o grande número de jovens acessando a rede através dos smartphones, e perceber que este é um hábito que não foge do ambiente da escola.

Claro que uma boa aula e professores capacitados e empenhados no ensino jamais poderão ser substituídos por aparelhos ou sistemas. Mas tornar a educação mais atrativa e integrada aos hábitos dos alunos só facilitará o trabalho dos profissionais envolvidos. As instituições devem se manter atentas a esses programas, pois assim o ensino do Brasil só tem a ganhar. 

* Rodrigo Carlomagno, da Escola Livre, projeto que visa estimular alunos do ensino médio e cursos pré-vestibulares a lerem, refletirem e adorarem uma postura crítica sobre as notícias da atualidade. 

Tags: aula, boa, capacitados, e empenhados, e professores, jamais, no ensino

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