Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

TV digital x 4G:  as novas fronteiras da tecnologia

Dane Avanzi*

Desafio. Essa é a palavra que mais se adequa ao momento que a televisão digital (DTV) e a telefonia móvel (com tecnologia de quarta geração, o 4G) vivem atualmente. Ambas as tecnologias suportam serviços de alta relevância ao povo brasileiro de um modo geral e, por conta disso, possuem importância significativa nos cenários político, econômico e social. Conciliar todos esses interesses, bem como as dificuldades técnicas de convivência de ambas as tecnologias na mesma faixa é um quebra-cabeças dos mais difíceis de se montar.

Com o objetivo de aperfeiçoar a legislação, ora em construção, a Anatel está realizando uma série de estudos técnicos, alguns teóricos e outros de campo. No início de dezembro começou a ser implementado no município de Pirenópolis, em Goiás, um laboratório de testes para se verificar fenômenos de interação entre as tecnologias que conviverão em faixas de frequência muito próximas. O principal objetivo do trabalho é desenvolver a partir da percepção dos estudos, técnicas e boas práticas de mitigação de interferências prejudiciais a ambos os serviços.

Para essa tarefa, a Anatel convidou entidades de renome das áreas acadêmica e empresarial (operadoras de telefonia móvel e concessionárias de TV) que estão trabalhando no teste cedendo gratuitamente todos os recursos humanos e materiais necessários à demanda. O Instituto Avanzi foi convidado para contribuir aferindo a qualidade do serviço de telefonia 4G, representando a sociedade civil, nessa proeminente tarefa.

Passaram por esse processo Reino Unido, França e Japão. Hoje temos a nosso favor o que podemos aprender com a experiência deles, o que torna nosso caminho um pouco mais suave, mas não menos desafiante. A engenharia de telecomunicações, embora seja uma ciência exata, possui inúmeras nuances que conferem à empreitada um clima de suspense, como nos filmes de Indiana Jones, mesmo que se planejem e se tenham os melhores recursos humanos e materiais disponíveis, como no caso.

Considerando o adágio popular segundo o qual "não há como fazer omeletes sem quebrar ovos", a faixa hoje já ocupada pela TV analógica deverá passar por um processo de substituição gradual da infraestrutura de tecnologia hoje instalada  processo que demandará o desembolso de cifras vultosas por parte das concessionárias de serviço de televisão, bem como pelas operadoras de telefonia móvel que deverão implantar novas torres e modernizar os equipamentos ora instalados com serviço de segunda e terceira geração, para os de quarta geração. Enfim, esse é o preço que se paga pelo progresso.

*Dane Avanzi, advogado e empresário do setor de engenharia civil, elétrica e de telecomunicações, é diretor superintendente do Instituto Avanzi, ONG de defesa dos direitos do consumidor de telecomunicações e vice-presidente da Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.

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