Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

O mundo cristão aplica as leis?

André Marques *

Chegamos mais uma vez ao dia 25 de dezembro, data em que é celebrada no Ocidente, desde o século IV, a festa do Natal. Comemoramos o nascimento de Jesus. É Deus que se fez carne e veio permanecer entre nós, trazendo diretrizes e modos para se viver bem. Nos escritos de Mateus (22,37) Ele pontua: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Em uma simples reflexão: será que é isso que o mundo anda fazendo em relação a esse texto do livro sagrado?

O mundo, que é chamado cristão nas modalidades do cristianismo, nasce com a ajuda e propagação por meio da fé. Mas estamos vivendo em tempos em que este século pode ter o merecimento de se dizer que é cristão? Obviamente, não devemos deixar de mencionar que os primeiros cristãos por diversas vezes tiveram por hábito o uso de força e poder que lhes foram concedidos. E na mesma linha não devemos deixar escapar da memória as oportunidades que lhes foram propiciadas por esse poder – e, não sendo por ele, talvez hoje não teríamos a fé cristã, que é bem expressiva no Ocidente atual.

Por motivos desta natureza, não devemos ligar as coisas somente aos erros mas certamente também às dignas condutas. Infelizmente, não é só isso que ocorre, mas graças a Deus o sol nasce todos os dias, e, no entanto, não são todos os cristãos que ali O apreciam e agradecem ao Senhor por esta grandeza. E nesse raciocínio nos deixamos recordar das boas obras, sendo bem mais fácil recordar das tempestades do que desse precioso sol.

Nós nos lembramos da luz quando esta falta, e eruditamente lembramos das coisas que estão ao nosso dispor quando estas faltam surpresamente. Dessa forma também acontece no mundo ocidental, que se diz cristão, que lamentavelmente, em meu pensar, está distante para conseguir esse mérito. Podemos afirmar, sem medo de errar – bastando apenas estudar, mesmo com reservação e longe da fé – que não deparamos um só item que seja contrário ao bom-senso, a transparência e a ausência de obstáculos de vida que o cristianismo assegura a quem o vive. Sabemos que, se todas as pessoas assim o fizessem, é claro que estaríamos em outro mundo, bem melhor.

O cenário é composto de aproximadamente 33%, sendo 17,4% de cristãos incluindo os católicos e 15,6% dos inicialmente chamados protestantes, estes em geral se subdividiram em milhares de denominações começando com os luteranos, os que mais justificam a separação, anglicanos e outras denominações, que vieram se subdividindo e que até hoje continuam se separando.

Acreditamos que isso um dia deve parar de acontecer, e ao contrário vai acontecer a unificação como é vontade do Pai. Nos escritos do profeta João (em 17,21), Jesus implora: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”. Já que isso não vem acontecendo, devemos constatar a rivalidade das doutrinas e filosofias que foram intencionalmente colocando a fé ao seu modo de concepção. Acreditam que podem transigir com os princípios cristãos, como se as leis de Deus fossem desequilibradas e pudessem ter nova versão. Na verdade, isso é bem cômico, para não dizer apocalíptico. É curioso como os mesmos que depreciam a fé originária cristã são os que muitas vezes estão distantes dela.

Drogas, vícios, aborto, matança por poder, pena de morte, formas de crucificação, dinheiro abusivo, dominação de povos nas condições de governos, sexo libertino e alienação em áreas afastadas do cristianismo e que são logicamente proibidas por Jesus e seus discípulos acontecem no lado do denominado mundo cristão.Nações que foram pioneiras nas práticas de sexo libertino têm predomínio da fé evangélica e católica, mas infelizmente parece que se olvidaram das mais importantes leis. Leis de Deus! Muitas das vezes fico imaginando: os governantes desses países batem no peito e dizem ser cristãos e governam suas nações. Ou será que eles não são coisa nenhuma de cristãos?

Nesta ocasião não demonstrarei as bases bíblicas para não gerar mais discussões acerca do assunto, sendo apenas uma opinião pessoal que desenvolvi, comprovando que todos nós motivamos erros em alguns momentos de nossa vida. O momento atual é para festejarmos o Natal.... já que chegamos a mais um aniversário de Jesus e que comemoramos. E será que neste mundo ocidental, onde vive a maioria dos cristãos, as pessoas sabem o que realmente é o Natal? Independentemente de saberem ou não, desejo a todos um Feliz Natal, e que o aniversariante seja lembrado intensamente ao menos no dia do seu aniversário...

*André Marques, advogado e escritor, é consultor e membro da Comissão de Segurança Pública e Política Criminal da OAB/GO. - andremarquesadv@hotmail.com

Tags: alguns, atual, de nossa, em, momentos, o momento, vida

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