Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

Parece a nica

Tarcisio Padilha Junior*

A busca da verdade só é possível se falarmos clara e simplesmente, se de fato evitarmos complicações desnecessárias. Seja o que for, quando primeiro encontramos o problema, não podemos saber muito a seu respeito; no máximo, só temos uma vaga ideia em que realmente consiste nosso problema. Como, então, podemos produzir uma solução adequada? Obviamente, não podemos.

Devemos primeiro ficar conhecendo melhor o problema. Mas, como? A resposta é muito simples: produzindo uma solução inadequada e criticando-a. Só deste modo podemos chegar a compreender o problema. Pois compreender um problema significa compreender suas dificuldades; e compreender suas dificuldades significa compreender por que ele não é solucionável facilmente. Devemos produzir tais soluções mais óbvias; e devemos criticá-las a fim de descobrir por que não funcionam.

Se nossa hipótese for capaz de resistir à crítica, ainda uma vez teremos aprendido muito, tanto a respeito do problema quanto a respeito da nossa hipótese, de sua adequação, de suas ramificações. A hipótese mais consistente é aquela que melhor resolve o problema que se destinou a resolver e que resiste à crítica melhor do que as hipóteses concorrentes, que chega mais perto da verdade.

A descoberta, por Darwin, da seleção natural tem sido comparada muitas vezes à descoberta, por Newton, da teoria da gravitação. Isto é um erro. Newton formulou um conjunto de leis universais que pretendiam descrever a interação e o comportamento consequente do universo físico. Darwin não propôs leis universais, mostrou que só um organismo que exiba em seu comportamento uma forte tendência, ou disposição, ou propensão para lutar por sua sobrevivência será suscetível de sobreviver.

Isso significa que a situação se supõe ser típica em vez de única. Dada essa situação, verdadeiramente é provável que aconteçam aquelas coisas cuja existência desejamos explicar. Mas a sobrevivência pode ter êxito ou prosperar porque conseguiu, por exemplo, melhorar sua perícia, sua inteligência, ou, mais simplesmente, melhorar sua própria velocidade de reação às adversidades.

Objetivamente, hoje a economia brasileira carece de ajuste em sua capacidade de adaptação. A combinação de juro alto, crescimento baixo, gasto governamental descontrolado é tipificada. Parece a nica.

* Tarcisio Padilha Junior é engenheiro. 

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