Jornal do Brasil

Domingo, 20 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

O papa e a quebra de paradigmas

Lidice Meyer Pinto Ribeiro*

Com mais de 10 milhões de seguidores no Twitter, Francisco se destaca por adotar atitudes não convencionais para a Igreja. O papa Francisco tem seguido à risca o exemplo do homem santo de quem assumiu o nome de São Francisco de Assis. Numa época em que a Igreja se mostrava como uma instituição fria, sacrossanta e distante do povo, o pontífice fala de perto a homens e mulheres sobre questões práticas e cotidianas. Espelhando-se em Cristo, aproximou-se das pessoas para falar de um Deus de amor, em lugar do Deus punitivo da idade das trevas.

O papa Francisco segue seus passos. Após o período papal de Bento XVI, que se caracterizou pela produção intelectual, Francisco, por sua vez, deixa de lado o intelectualismo para se envolver em estratégias capazes de alcançar mais pessoas e das mais variadas culturas. Utilizando-se das mídias sociais e de uma linguagem diferenciada, Francisco é um papa de mais de 10 milhões de seguidores no Twitter. Através de mensagens diárias simples e rápidas, consegue transmitir sua mensagem sobre o amor de Cristo. Palavras sobre perdão, esperança e união  — virtudes das quais nosso mundo está tão carente. Assim como seu santo predecessor, Francisco segue os passos de Jesus e rompe com as tradicionais fronteiras do sagrado/profano.

Espelha-se em Cristo, que mostrou que a vida humana era mais importante do que a guarda do sábado e que pregava tanto nas sinagogas como nos montes, lagos e mares. Sua Santidade Francisco, que veste o hábito papal, brinca com o solidéu colocando-o e retirando-o da cabeça de uma menina. Ato profano para alguns, sagrado para outros... Aquele que chamam de sucessor de Pedro é visto colocando o lixo para fora da Residência Santa Marta. A pureza de um papa e a impureza do lixo juntos. Estaria o papa se contaminando com o lixo? Certamente que não. É mais provável que o lixo tenha sido sacralizado pelo contato com o papa. A mensagem que ele deixa é: todo o universo pode ser santificado. Depende do uso que fazemos dele.

* Lidice Meyer Pinto Ribeiro, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutora em antropologia social, é pós-doutoranda em antropologia histórica e coordenadora de pós-graduação lato sensu e docente na pós graduação strito sensu em ciências da religião do Centro de Educação, Filosofia e Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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